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Márcio Canella, pré-candidato ao Senado, é preso com fuzil em operação da PF e passa a noite no presídio

Ex-prefeito de Belford Roxo foi detido após a Polícia Federal encontrar um fuzil na mala de seu carro durante a Operação Unha e Carne.

Agência O Globo - 08/07/2026
Márcio Canella, pré-candidato ao Senado, é preso com fuzil em operação da PF e passa a noite no presídio
Márcio Canella

Preso em flagrante por porte ilegal de arma de uso restrito, o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, passou a noite de terça-feira no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. A unidade onde o político está à disposição da Justiça é considerada a porta de entrada do sistema penitenciário.

Canella deverá passar por uma audiência de custódia nas próximas horas. Na ocasião, a Justiça decidirá se confirma a validade da prisão em flagrante ou se o político responderá pelo fato em liberdade. O pré-candidato deu entrada no José Frederico Marques por volta das 21h de terça-feira, após ser transferido para a unidade por policiais federais. A prisão do ex-prefeito aconteceu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que visa desarticular uma quadrilha suspeita de usar postos de gasolina para lavar dinheiro.

Canella, o delegado Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio, o policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira e um ex-PM estão sob investigação na operação e foram alvos de mandados de busca e apreensão. O ex-prefeito foi conduzido para prestar depoimento. A operação desta terça-feira teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta uma movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos pela rede de postos. Inicialmente, Canella era apenas alvo de busca e apreensão. Na casa dele, os agentes federais apreenderam outras armas, munições e relógios de luxo.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 19 endereços na capital e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, ligados aos investigados. Ao todo, foram apreendidos 11 carros de luxo, entre eles uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão. Em uma empresa em Niterói, foram encontrados cerca de R$ 800 mil em espécie. Um policial militar também foi preso por porte de arma na casa de um dos investigados.

A Justiça determinou ainda o sequestro de bens envolvidos, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo. Os valores e os nomes das empresas não foram divulgados pela Polícia Federal. Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.

A Operação Unha e Carne é parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal no contexto da ADPF das Favelas, a ADPF 635.

Principal alvo da ação de ontem, Canella é filiado ao União Brasil, mesmo partido de Bacellar, preso na primeira fase da Operação Unha e Carne. Ele deixou a Prefeitura de Belford Roxo este ano para concorrer ao Senado, com o apoio de Flávio Bolsonaro. Na disputa pela Prefeitura de Belford Roxo, em 2024, Canella foi flagrado com uma arma de fogo na cintura durante um evento de campanha, episódio registrado em vídeo que viralizou nas redes sociais. Seu mandato à frente da Prefeitura de Belford Roxo foi marcado por um discurso voltado à segurança pública.

O delegado Marcus Amim esteve à frente da Polícia Civil entre 2023 e 2024. Nos bastidores, sua indicação ao cargo é atribuída a Bacellar e Canella. Para que ele pudesse assumir a secretaria, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) precisou alterar uma lei, já que ele não possuía o tempo de carreira exigido. Antes, Amim presidiu o Detran-RJ e levou vários policiais para o órgão.

Pablo Jukiá Felix Ferreira, citado nesta fase da Operação Unha e Carne, era um deles. Em setembro de 2024, o então governador Cláudio Castro exonerou Amim por estar, segundo relatos, "descontente" com o trabalho dele à frente da Secretaria de Polícia Civil.

Uma semana depois, o delegado já estava na Alerj, onde atuou como chefe da segurança até dezembro do ano passado. Segundo o Jornal Nacional, as investigações apontam que Amim seria proprietário de duas lojas de conveniência em postos de combustíveis.