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Orla da Zona Sul terá operação Tolerância Zero para combater ambulantes clandestinos

Estratégia para ordenar atividades entre o Leme e o Leblon contará com fiscalização permanente. Medida surge amid queixas de desordem.

Agência O Globo - 07/07/2026
Orla da Zona Sul terá operação Tolerância Zero para combater ambulantes clandestinos

O prefeito Eduardo Cavaliere anunciou, nesta terça-feira, uma nova estratégia de ordenamento das atividades de comércio ambulante na Orla do Rio. O programa estabelece diretrizes para o trabalho integrado dos órgãos municipais responsáveis ​​pela fiscalização e reúne ações permanentes para coibir ocupações irregulares e garantir o cumprimento das regras de uso do espaço público.

A fiscalização permanente deve começar quinta-feira, cobrindo um trecho que vai do Leme ao Leblon , incluindo Copacabana , Ipanema e Arpoador . A medida é adotada em meio a reclamações de desordem, inclusive com o uso de caixas de som durante a noite, como mostrado reportagens de O GLOBO .

A operação, que será anunciada pela prefeitura, prevê o uso de 138 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública , que atuarão 24 horas por dia, em duplas e em turnos de 12 horas. A ideia é impedir a instalação de carrinhos e o fornecimento de mercadorias para ambulantes clandestinos.

Para a execução do plano, a prefeitura mapeou 69 pontos de acesso à orla. Cada dupla de fiscais terá responsabilidade pelo monitoramento do entorno. Apenas no Leme e em Copacabana, serão 30 pontos de controle, que abrangem, por exemplo, a Avenida Princesa Isabel , Rua Miguel Lemos e Praça do Lido . Ipanema contará com 21 equipes e Leblon , outras 15; enquanto o Arpoador terá mais três.

O modelo adota a premissa de que uma ocupação mais eficaz desestimule o comércio irregular. Contudo, cada região seguirá uma estratégia conforme a realidade local.

No início do ano, quando o forte calor do verão atraiu multidões para o Arpoador, inclusive durante a madrugada, a decisão tomada fechar foi a Pedra do Arpoador ao público entre 21h e 4h. Entre 21h e 23h, os agentes atuarão para a retirada de banhistas que permanecerem no local.

Em maio, o município também começou a usar drones para monitorar o entorno do Saara e da Rua Uruguaiana . E, na semana passada, anunciou ações para ordenar o entorno da Escadaria Selarón , na Lapa .

Orla à deriva

Série de reportagens do GLOBO mostrou a desordem na orla de Copacabana, com circulação de ciclomotores na ciclovia e no passeio, venda ilegal de bebidas e caixas de som de alta potência. O mesmo vem ocorrendo em Ipanema, que começa a apresentar sinais de “copacabanização”.

Cada vez mais camelôs se espalham pela orla, especialmente no trecho da Avenida Vieira Souto entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila , muito frequentado por turistas. No calçadão recém-tombado, a maior concentração de vendedores irregulares ocorre junto à estátua do maestro Tom Jobim , próximo ao cancelamento de entrada do Arpoador, que, aliás, ganhou um respiro no início do ano com a proibição de acesso à Pedra a partir das 21h.

Carrocinhas de bebidas, que têm como carro-chefe a caipirinha — vendidas de R$ 20 a R$ 50, dependendo do tamanho do copo — proliferam no calçadão de Ipanema. A elas se somam camelôs que oferecem churrasquinho , açaí , milho-verde , coco , cangas , biquínis , camisetas , lembranças do Rio e artesanato . Nas redes sociais, até um barbeiro é visto cortando o cabelo de um banhista entre os postos 7 e 8. Não faltam ainda vendedores de chapéus, com preços variando entre R$ 70 e R$ 150.