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Manifesto denuncia crescimento do comércio irregular nas praias do Rio

Dez entidades assinam carta aberta defendendo a necessidade de ordenamento nas áreas turísticas

Agência O Globo - 06/07/2026
Manifesto denuncia crescimento do comércio irregular nas praias do Rio
- Foto: Reprodução

“O comércio irregular da orla saiu do controle” , diz um trecho do manifesto lançado por dez entidades dos setores comercial e turístico, numa tentativa de conter a desordem. A carta aberta “Por uma orla que orgulha o carioca” foi encaminhada ao secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, e à Câmara Municipal do Rio. Nela, os autores defendem “uma política de ordenamento à altura do seu principal ativo turístico” .

Orla à deriva:

Incidente no Galeão:

Os signatários afirmam que o que se vê no calçadão e na areia não é informalidade pontual, mas ocupação sistemática. “O turista, que deveria levar a melhor lembrança da cidade, vira alvo fácil de uma lógica em que o preço muda conforme a cara, o sotaque ou a falta de familiaridade com o lugar” , assinalam.

Para o presidente da seção do Rio da Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav-RJ), Marcelo Siciliano, um dos que assinam a carta, a solução para o problema passa por ações permanentes de planejamento, supervisão e diálogo com os diferentes segmentos envolvidos, para o cumprimento de regras:

— O objetivo deve ser garantir uma orla organizada, acolhedora e sustentável.

O presidente-executivo do Visit Rio, Luiz Strauss, cita o impacto na imagem do Rio como destino turístico e também defende uma atuação mais eficaz da fiscalização para o cumprimento de regras e critérios sanitários para alimentos e bebidas.

'Corredor'

Outra entidade que assinou o manifesto da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ). O presidente do Conselho Deliberativo da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, destaca que a desordem urbana transmite insegurança aos turistas, especialmente aos visitantes internacionais:

— Agora, estão sendo colocadas barracas de costas para o meio-fio, um verdadeiro corredor polonês para as pessoas que passam pelo calçadão. Esse cenário não se restringe à Zona Sul e também pode ser visto na Barra e no Recreio.

Já o presidente regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Rio) enumera problemas de ordem sanitária, de previsão financeira dos negócios formais e de segurança e ordenamento:

— Poderia haver espaços específicos pela prefeitura onde esses negócios podem ser instalados, com cobrança e obrigatoriedade de terem CNPJ e pagamento de taxas — propõe.

O diretor-executivo do Sindicato de Bares e Restaurantes, Sérgio Abdom, assinalou o papel fundamental da orla para o turismo, a economia e a gastronomia da cidade:

— Por isso, preservar sua organização e qualidade é um interesse de todos.

O presidente do Conselho Empresarial do Ecossistema do Turismo da Associação Comercial do Rio, Pedro Guimarães, por sua vez, reforça a necessidade de apoio da Prefeitura e do governo do estado “para combater a informalidade ilegal e valorizar quem trabalha na legalidade” .

Em nota, a Orla Rio, concessionária que administra quiosques do Leme ao Pontal, destaca que “o ordenamento público é fundamental, prioritariamente, para proteger e respaldar os empreendedores formais, que operam com investimento dentro da legalidade, gerando empregos e movimentando a engrenagem econômica da cidade” . Além disso, diz que “a manutenção da ordem é o pilar indispensável para garantir a sensação de segurança que cariocas e turistas flutuam para desfrutar da praia” .

Assinaram ainda o manifesto à Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento e Afins (Apresenta) e à Cooperativa dos Quiosqueiros da Orla Carioca (Coopquiosque).

— Temos que manter o negócio dentro da linha. E concorremos com pessoas que não têm o menor compromisso com a legalidade — desabafa João Lameirinhas, presidente da Coopquiosque.