RJ em Foco
Policiais lotados no Detro faziam a segurança de deputados estaduais
Cinco agentes cedidos ao gabinete da autarquia atuavam para os parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em uma espécie de triangulação
Na esteira da reorganização promovida pelo Palácio Guanabara, está o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado (Detro-RJ). Levantamento feito pela GLOBO revela que 120 dos 360 funcionários do país estavam em situação de “alta criticidade” — não passavam pelas catracas dos locais de trabalho, não faziam login em computadores nem acessavam sistema eletrônico oficial. Todos foram exonerados. Na lista estão seis policiais militares, um bombeiro e um policial civil, que precisaram voltar às suas corporações de origem. Segundo fontes, em uma espécie de triangulação, cinco cedidos ao gabinete do Detro agentes proporcionaram, na verdade, a segurança de deputados estaduais.
Conheça quem são os suspeitos:
Apac Bossa Nova:
Desde 23 de março, o governo interino de Ricardo Couto já exonerou 4.283 comissionados, a maioria apontada como fantasma. A gestão realiza auditorias minuciosas em 77 órgãos estaduais: 60 já foram concluídas. A expectativa é que o trabalho termine na próxima semana. Em seguida, começa o pente-fino nas contratações de servidores cedidos e terceirizados.
Direto para a Alerj:
O Detro é a autarquia responsável pela fiscalização e pela regulamentação do transporte intermunicipal de passageiros no Estado do Rio. Raphael Salgado foi exonerado da presidência da entidade em 13 de maio, mas não demorou muito tempo no serviço público — foi logo contratado como chefe de gabinete do deputado Alan Lopes (PL). Procurado pela GLOBO , Salgado disse desconhecer que os policiais fizeram segurança de parlamentares, mas ressaltou que nada os impedia de prestar outro serviço nos dias de folga:
Unha e carne:
— Além do bombeiro, minha segurança foi feita por policiais militares adicionados à presidência. Eles tinham uma escala de 24 horas de trabalho para 72 horas de folga. Se, nesse período, prestamos serviço para uma farmácia, uma padaria, uma Alerj, isso não é da minha competência. Nem queria saber se fazia outra segurança.
Salgado afirmou que os agentes atuaram no Detro:
— Alguns fizeram a segurança de fiscais na repressão ao transporte ilegal de passageiros. O fiscal não porta arma, não é policial — disse o ex-presidente, pedindo que fosse feita uma reportagem sobre sua trajetória no órgão por achar “pertinente”.
Na Costa Verde:
Foi durante sua gestão que, em 16 de março, o Detro se envolveu em uma polêmica com a prefeitura do Rio. O órgão multou dois ônibus da empresa municipal Mobi-Rio, que operavam a linha entre Irajá e Mesquita, na Baixada. Um dos veículos foi rebocado, e Salgado chegou a ameaçar dar voz de prisão ao secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, caso precisesse aplicar mais infrações.
Trem de Prata:
'Procuro relacionamento sério':
A Polícia Militar informou que os cedidos recebem salário-base pela corporação e, quando exercem função comissionada, a gratificação é paga pelo órgão que os exige. Em nota, o Ministério Público do Rio informou que o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal acompanha auditorias sobre os fantasmas.
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