RJ em Foco
Imagens de câmeras de segurança mostram homem indo à praia com cachorro antes de afogá-lo no mar de Copacabana
Tutor, ainda foragido, foi indiciado e denunciado por maus tratos, cuja pena é de 2 a 5 anos de prisão
Após dois meses da morte de Prince, um American Bully, no mar de Copacabana, policiais civis da 12ª DP elucidaram o caso: o cachorro foi afogado pelo próprio tutor, Tiago Mattos Rocha, de 47 anos. A identificação foi facilitada por imagens de câmeras de segurança de prédios do bairro, que registraram o percurso de Tiago e Prince até a praia, em 23 de abril. O animal foi encontrado morto por banhistas na beira da água, sem sinais de violência. Com a conclusão do caso, o tutor, ainda foragido, foi indiciado e denunciado por maus tratos, cuja pena é de 2 a 5 anos de prisão.
'Tipo um supervisor':
Diretores da ONG RioSolidário
De acordo com as investigações, câmeras de segurança do edifício onde o acusado morava registraram o momento em que o cachorro foi retirado de casa. Pouco depois das 19h30 daquela quinta-feira, Prince apareceu no elevador e na portaria do prédio abanando o rabo.
Junto de Tiago, o cachorro seguiu pela Tonelero e, em determinado momento, chegou a ser carregado no colo. Já no chão, eles viram na Rua Santa Clara em direção à praia. Em menos de 20 minutos, chegaram à orla, em um percurso de aproximadamente 750 metros.
Às 19h53, é possível ver Tiago e Prince entrando na faixa de areia em direção à beira do mar, onde são flagrados às 19h56. O crime não foi captado pelas câmeras devido à distância, mas em menos de 5 minutos, às 20h01, é possível ver Tiago retornando sem o animal.
Na orla, câmeras flagraram todo o trajeto de volta de Tiago. Após sair correndo da areia em direção ao calçadão, ele seguiu pela Santa Clara e entrou na Tonelero. No elevador do prédio, mexeu no cabelo e se olhou no espelho, sem grandes expressões de preocupação.
Enquanto ele pegava as malas e deixava o apartamento com a esposa, às 21h06, garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), ouvidos durante a investigação, presenciaram o momento em que turistas tentavam socorrer o animal.
Um deles contou à polícia que viu “rapazes, aparentemente turistas estrangeiros, chorando e fazendo massagem cardíaca em um cachorro que aparentava ter se afogado, não sendo percebidas marcas de agressões e sangue no local, sendo um indicativo claro do afogamento do animal”.
Medida protetiva para a sogra
No dia 15 de abril, Tiago recebeu visita de um oficial de justiça e de um policial civil, que o informaram sobre um indiciamento pelos crimes de injúria, extorsão e violação de domicílio — consequência de um registro feito pela sogra. Na ocasião, foi deferida uma medida protetiva em favor dela.
Após esse ocorrido, ele passou a se desfazer de bens da residência, realizando a venda de móveis e eletrodomésticos a terceiros e retirou sua filha menor de idade do local.
A situação causou estranheza aos funcionários do prédio que, por precaução, optaram por guardar as câmeras. Posteriormente, as testemunhas relataram ter tomado conhecimento, por meio de vídeo divulgado em redes sociais, sobre um cachorro encontrado morto na praia de Copacabana. Ao visualizarem as imagens, reconheceram que o animal e a coleira exibidos eram idênticos a Prince.
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