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PF aponta 'laranja' do pastor Márcio Poncio como operador do contraventor Adilsinho na máfia dos cigarros
A ligação entre os dois investigados passa por um empresário preso em 2025 em outra operação policial
Um elo societário conectado ao esquema do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho. Charles Guilherme Costa de Vasconcellos, apontado como laranja do pastor Poncio, também é acusado de ser operador de Adilsinho e integrar sua quadrilha, que explora o monopólio da venda de cigarros ilegais no Rio. O bicheiro e o pastor foram alvos de mandados de prisão nesta quinta-feira, na mesma operação, que investiga repasses de dinheiro de Adilsinho a políticos fluminenses. Poncio é investigado pela PF por suspeita de integrar a Máfia do Cigarro.
Quem é Márcio Poncio:
Golpe do amor:
Vasconcellos foi um dos presos na operação contra integrantes da quadrilha chefiada por Adilsinho. Segundo a PF, ele é sócio da empresa Comercial 8 , apontado como responsável pela distribuição dos cigarros ilegais do grupo. A corporação afirma ainda que Vasconcellos "compra e vende a mercadorias tabagistas abaixo do mínimo legal e emite notas fiscais com o intuito de ludibriar a fiscalização tributária e a polícia". Ele também é acusado de, por meio de sua empresa, receber depósitos em espécie, "provavelmente resultante da venda de cigarros clandestinos".
Antes de sua ligação com Adilsinho ser revelada, Vasconcellos já era conhecido da Justiça por sua relação com o pastor Márcio Poncio. Em um processo movido pela União contra uma série de empresas do grupo empresarial do pastor por dívidas fiscais, o empresário é desenhado como "laranja" de Poncio. A atuação de Vasconcellos ocorreu à tona em 2016, quando ele se tornou sócio de uma dessas empresas, o Planalto Indústria e Comércio de Cigarros . À época, ele teria pago R$ 275 mil pelas cotas da empresa, assim como sua mãe, Juracy Costa de Vasconcellos, que também ingressou na sociedade.
No ano anterior, Vasconcellos declarou à Receita Federal não possuir bens, enquanto sua mãe era pensionista do INSS. Segundo a Justiça, “ambos não possuíam renda para adquirir as cotas, sendo uma evidência forte de que eram pessoas interpostas que auxiliaram o grupo empresarial no cometimento de fraudes”. Outra declaração da relação de Vasconcellos com Poncio veio à tona em 2018, quando ele declarou à Receita ter herdado de sua mãe restritos à Igreja Pentecostal Anabatista de Duque de Caxias, onde Márcio Poncio era pastor.
Em maio de 2019, Charles Guilherme Costa de Vasconcellos transferiu suas cotas para a esposa de Márcio Poncio, Simone Poncio da Silva, e para Jonathan Couto de Souza, então gênero do pastor, retirando-se da sociedade. Nas redes sociais, Charles aparece em diversos registros publicados pela família Poncio.
Para a Justiça, Poncio e seus sócios atuam "no comércio de cigarros praticando preços predatórios às custas do inadimplemento tributário e, mantendo tal sistema, criam diversas empresas com o mesmo objeto social para sucedê-las informalmente (e fraudulentamente)".
O pastor Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira em um apartamento do Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Ele é investigado sob suspeita de integrar a Máfia do Cigarro.
O GLOBO tentou localizar a defesa do pastor Márcio Poncio, mas ainda não obteve retorno.
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