RJ em Foco

Rodrigo Bacellar será transferido para presídio federal

Ex-presidente da Alerj, que estava preso desde março, foi encaminhado à sede da Polícia Federal no Rio nesta quinta-feira, quando voltou a ser alvo de um mandado de prisão em nova fase da Operação Unha e Carne

Agência O Globo - 02/07/2026
Rodrigo Bacellar será transferido para presídio federal
Rodrigo bacellar - Foto: Reprodução / Instagram

Em uma nova fase da Operação Unha e Carne nesta quinta-feira, Rodrigo Bacellar foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal (PF), na Praça Mauá, no Centro do Rio, e será transferido para um presídio federal.

não é Unha e Carne:

Nova fase:

Então deputado e presidente da Casa, Bacellar foi preso em dezembro do ano passado, na primeira fase da Operação Unha e Carne. A suspeita é que ele tenha divulgado a Operação Zargun para o então deputado TH Jóias , preso em setembro passado, por suspeita de usar o mandato parlamentar para favorecer o Comando Vermelho. Isso teria permitido que TH destruísse as provas.

Ainda em dezembro, o plenário da Alerj, no entanto, revogou a prisão preventiva de Bacellar, que deixou o presídio, mas com medidas cautelares por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele precisau se afastar da presidência durante a investigação, além de usar tornozeleira eletrônica.

'Estelionato amoroso':

No fim de março, Bacellar voltou a ser preso pela determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão foi tomada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato do ex-presidente da Alerj, condenado junto ao ex-governador Cláudio Castro pelo escândalo de contratações na Fundação Ceperj.

Nesta quinta-feira, Bacellar foi encaminhado à sede da PF no início da manhã, onde chegou segurando uma Bíblia King James (KJV) , na edição em letra 'ultragigante', versão de luxo.

Investigação:

O pastor Marcio Poncio e o contraventor Adilsinho também são alvos.

A quinta fase da Operação Unha e Carne visa cumprir três mandatos de prisão preventiva — além de Bacellar, são alvos o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho , o Adilsinho (que também já havia sido preso), e um terceiro alvo , preso pela polícia em um apartamento na Barra da Tijuca — e outros 14 de busca e apreensão.

Márcio Poncio é pastor e empresário do ramo do tabaco. Pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio , ele costuma destacar nas redes sociais tanto sua atuação religiosa quanto seu papel como 'patriarca da família Poncio' e membro da Igreja da Nuvem. Sua trajetória empresarial no setor de cigarros rendeu o apelido de 'pastor do cigarro'.

Vídeo:

Outro alvo é Marco Antônio Cabral , advogado, ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Esporte do Rio de Janeiro durante o governo de Luiz Fernando Pezão. Filho do ex-governador Sérgio Cabral, foi filiado ao MDB há 18 anos, partido pelo qual iniciou sua trajetória política, e neste ano é pré-candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pelo partido de Sarah Poncio, o Solidariedade. Também ocupou cargo na assessoria da Presidência da Alerj, na gestão de Bacellar, onde atuou na interlocução com prefeitos e vereadores.

Esta não é a primeira vez que um filho do ex-governador Sérgio Cabral tem o nome associado às investigações envolvendo Adilsinho. Em 2023, José Eduardo Neves Cabral foi alvo da Operação Smoke Free , da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, sob suspeita de atuar como operador financeiro do contraventor em um esquema de comércio ilegal de cigarros e lavagem de dinheiro.

Em nota, Patrícia Proetti, advogada de Marco Antônio Cabral , diz que o ex-deputado federal nega 'qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou coleta de valores de origem ilícita'.

Disputa na realeza:

Já Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho , é um bicheiro conhecido das autoridades de segurança cariocas. Preso em fevereiro deste ano, o contraventor controla a fabricação e a venda de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio e, hoje, já expande seus negócios ilegais para outros estados.

A prisão de Adilsinho foi conduzida pela operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), com atuação da Polícia Federal e da Polícia Civil. Ele foi capturado em uma residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos, após trabalho de inteligência.

O caso é investigado pela Polícia Civil.