RJ em Foco
Operação da PF sobre jogo do bicho volta a cruzar Adilsinho, Marco Antônio Cabral e Bacellar
Prisão de servidor da Alerj pela morte do advogado Rodrigo Crespo levou à discussão sobre sua indicação para cargo na Casa. Agora, nova investigação da PF volta a mostrar ligação dos três nomes
Os nomes do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), voltam a se cruzar. Em 2024, após a prisão do suspeito de monitorar Marco Antônio e Bacellar , passou a ser relatado nas discussões sobre quem havia indicado o funcionário para trabalhar na Assembleia. Na época, Marco Antônio ocupava um cargo de assessoria da Presidência da Alerj, onde atuou na interlocução com prefeitos e vereadores durante a gestão de Rodrigo Bacellar .
Agora, eles reaparecem no contexto da quinta fase da Operação Unha e Carne , da Polícia Federal, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro da nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a membros dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio.
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, a Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão preventiva, 14 mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões.
O advogado Rodrigo Crespo foi executado a tiros no Centro do Rio em fevereiro de 2024. Em março deste ano, Cezar Daniel Mondego , o policial militar Leandro Machado da Silva e Eduardo Sobreira Moraes foram condenados a 30 anos de prisão pelo crime. Segundo o Ministério Público, ele foi monitorado pelo interesse do jogo do bicho, da qual Adilsinho é apontado como integrante. A defesa do contraventor nega qualquer participação dele no assassinato.
Filho do ex-governador Sérgio Cabral , Marco Antônio Cabral foi deputado federal pelo MDB , secretário estadual de Esporte no governo Luiz Fernando Pezão e ocupou um cargo na assessoria da Presidência da Alerj durante a gestão de Rodrigo Bacellar , atuando na interlocução com prefeitos e vereadores. Neste ano, deixou o MDB , legenda à qual era filiado há 18 anos, e ingressou no Solidariedade para disputar uma vaga de deputado federal.
Após a prisão do Mondego , surgiram nos bastidores da Assembleia relatos de que o então servidor teria sido indicado para a carga por Marco Antônio , com quem tinha grande ligação política. O ex-deputado negou ter feito a indicação e afirmou que conhecia o Mondego desde 2012, quando ele foi apresentado como uma liderança política de Higienópolis , na Zona Norte do Rio.
— Não fiz a nomeação dele em 2019. Nunca tive uma relação de intimidação com ele, mas o conhecia da atividade política — declarou Marco Antônio à época.
Na ocasião, Bacellar confirmou que o Mondego tinha ligação com Marco Antônio , mas afirmou não saber quem havia feito sua nomeação para a Alerj. Também circularam relatos de bastidores de que os dois se reuniram após a prisão do servidor para tratar o desgaste político provocado pelo caso. Marco Antônio negou que esse encontro tenha acontecido.
Esta não é a primeira vez que um filho do ex-governador Sérgio Cabral tem o nome associado às investigações envolvendo Adilsinho .
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