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Estado do Rio teve o maior número de medidas protetivas descumpridas da série histórica em 2025

Meio virtual foi usado em um em cada dez casos como forma de chegar às vítimas, seja por mensagem, rede social e até PIX

Agência O Globo - 01/07/2026
Estado do Rio teve o maior número de medidas protetivas descumpridas da série histórica em 2025
Rio de Janeiro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Dossiê Mulher aponta que, no ano passado, o estado do Rio registrou 5.870 descumprimentos de medidas protetivas. Esse é o maior número da série histórica, que começou em 2018. Um em cada dez casos ocorreu em ambiente virtual, onde mensagens de WhatsApp, redes sociais e até transferências por PIX são utilizados como forma de manter contato, monitorar e perseguir as vítimas.

Paralisação:

Disputa de poder:

Durante todo o ano passado, as Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) contabilizaram ainda 2.521 vítimas de crimes praticados pela internet no estado, sendo as ameaças (28,6%), injúrias (20,6%) e descumprimentos de medida protetiva (7,7%) os tipos de crime mais comuns.

Quando se trata do feminicídio, que teve 205 registros em 2025, o dossiê revela que 77,1% dessas vítimas não possuíam medidas protetivas. Por outro lado, 19% dos autores desses crimes tinham registros anteriores de violência doméstica.

— Mais da metade (das vítimas de feminicídio) sofreu violência doméstica anterior, mas não registrou — aponta Vanessa Cardozo, coordenadora do Dossiê Mulher.

Crimes em 1996 e 2006:

Pela primeira vez, o ISP se debruçou sobre publicações nas redes sociais ao elaborar o Dossiê Mulher. Na análise do órgão, que foi além dos dados, o discurso redpill — que representa homens que acreditam estar se opondo a um sistema que favorece as mulheres — e misógino — que expressa desprezo ou ódio contra as mulheres — é frequentemente encontrado em postagens, incitando a violência contra elas, disfarçado por dados que podem ser falsos, provenientes de fontes não confiáveis ou deturpados. Esse debate é necessário para evitar que esses discursos se transformem em registros policiais no futuro.

Ao todo, cem publicações feitas em cinco perfis diferentes no X (antigo Twitter) da esfera redpill, entre o ano passado e este, foram analisadas. Embora a amostra seja pequena, é suficiente para entender como esse tipo de discurso se apresenta. O estudo revelou que essas contas se retroalimentam e, juntas, alcançaram mais de 23 milhões de visualizações, além de 210 mil curtidas.

— É uma média de circulação muito grande. Estamos falando de um comportamento que, apesar de parecer oculto, tem um potencial de alcance significativo, atingindo públicos de todas as idades — avalia Laura Mariana da Costa, analista da Coordenadoria de Gestão do Conhecimento do ISP. — O discurso está demonstrando uma violência ensaiada, então queremos agir para evitar que isso se transforme em dados registrados nas delegacias no futuro.

Do Leme à Prainha:

No ano passado, 159.041 mulheres e meninas foram vítimas de violência no estado do Rio, o que equivale a três por minuto, com 114.895 registros em delegacia, um número que cresce desde 2020. Tanto o número de vítimas quanto o de registros apresenta um aumento de 3% em relação a 2024. O perfil das mulheres atingidas pela violência é majoritariamente negro (52,3%), solteiro (47,9%) e jovem (29,8% têm entre 18 e 29 anos).

Os agressores homens são a maioria nos casos de violência contra a mulher (71,5%), sendo que a maior parte deles é próxima à vítima. Os finais de semana (sábado e domingo) foram identificados como os dias com maior quantidade de casos. A principal forma de violência contra a mulher é psicológica, seguida por física, moral, sexual e patrimonial, conforme aponta o dossiê.

Drones e operações integradas: