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Homem é expulso de ônibus após fazer ofensas racistas contra motorista no Rio

Passageiros se mobilizaram e interviram; Thayane Martins registrou boletim de ocorrência

Agência O Globo - 01/07/2026
Homem é expulso de ônibus após fazer ofensas racistas contra motorista no Rio
Rio de Janeiro - Foto: Reprodução

Um homem foi expulso por passageiros de um ônibus após fazer uma série de ofensas racistas contra a motorista, uma mulher negra. Thayane Martins, de 35 anos, estava em serviço no último sábado (27), na Zona Oeste do Rio, quando foi vítima. Tanto ela quanto passageiros gravaram as ofensas e a retirada do homem.

Alerta:

Paralisação:

Nos vídeos, é possível ver que o homem está na roleta e se dirige a Thayane falando uma série de ofensas e xingamentos, entre eles, "negra" e que "depende de cota racial". Ele aponta para a motorista, e quando percebe que ela o filma, diz que vai fazer o mesmo.

Thayane dirigia um ônibus da linha 754, e o caso aconteceu quando circulava em sua rota regular. No momento das gravações, o veículo não estava em movimento. Segundo a motorista, a reação aconteceu após ela pedir mais de uma vez que ele passasse a roleta. Entre ofensas e xingamentos, ele disse: "preta que depende de preconceito e cota".

Logo os passageiros se envolvem. É possível ouvir que alguns o chamam de racista e apontam os absurdos de sua fala. Ao menos três homens vão ao encontro dele para retirá-lo do coletivo. O homem ainda tenta resistir, mas não consegue.

O caso foi registrado na 59ª DP (Duque de Caxias), no início da noite de sábado, com injúria por preconceito. Thayane publicou a foto do boletim de ocorrência em seu perfil, onde tem falado sobre o caso e recebido apoio de parentes, amigos, colegas de profissão e desconhecidos.

Em nota, a Polícia Civil do Rio informou que "agentes realizam diligências para identificar a autoria do crime".

No mesmo dia, a motorista fez uma publicação em que afirma se posicionar contra o racismo, destacando que tal conduta é um crime e não deve ser levada como brincadeira ou minimizada. Ela escreveu:

"Hoje eu me posiciono. Fui vítima de racismo no meu próprio ambiente de trabalho. Racismo não é brincadeira, não é opinião e não é 'frescura'. Racismo é crime. É dor. É humilhação. É desrespeito. E em pleno 2026, ainda insistem em fazer com que pessoas negras se sintam inferiores, invisíveis e incapazes. Eu não sou. Ninguém tem o direito de me diminuir por causa da cor da minha pele. Meu lugar é onde eu escolhi estar, com a minha competência, esforço e dignidade. Já estou tomando todas as medidas necessárias. E deixo claro: racismo não será tolerado. Respeito não é favor. É o mínimo."

Desde janeiro de 2023, a Lei 14.532/2023 tipifica como crime de racismo a injúria racial, com a pena aumentada de um a três anos para de dois a cinco anos de reclusão. Enquanto o racismo é entendido como um crime contra a coletividade, a injúria é direcionada ao indivíduo.