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Greve de ônibus no Rio deixa passageiros em filas e coletivos lotados

Paralisação entrou no segundo dia nesta terça-feira; audiência no TRT-1 pode definir os rumos do movimento

Agência O Globo - 30/06/2026
Greve de ônibus no Rio deixa passageiros em filas e coletivos lotados
Greve de ônibus no Rio deixa passageiros em filas e coletivos lotados - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Passageiros de ônibus municipais do Rio enfrentam dificuldades para circular pela cidade nesta terça-feira, segundo dia da greve dos rodoviários. Com uma frota reduzida, os veículos que seguem em operação circulam lotados, enquanto filas se formam em pontos e terminais. Uma alternativa para muitos usuários é enfrentar a abertura ou aguardar pelo próximo coletivo, sem previsão de chegada.

No Terminal Gentileza, os ônibus chegam e partem com passageiros espremidos. Na Central do Brasil, as filas também tomam conta dos pontos. Quando os coletivos aparecem, muitos usuários correm para tentar embarcar.

— Eu já estou com dor no joelho de ficar aqui em pé — disse uma passageira que aguardava um ônibus da linha 324, com destino à Ilha do Governador, na Zona Norte.

Alguns passageiros optaram por carros de aplicativo, mesmo com preços mais altos. Cibele Carla, de 32 anos, técnica de enfermagem do Instituto do Cérebro, no Centro, estava desde as 4h30 tentando voltar para casa após um plantão de 24 horas. Às 8h, sem conseguir embarcar, optou pelo aplicativo.

— Eu fiz um plantão de 24 horas e estou desde as 4h30 tentando chegar em casa. Mas é complicado. Como o ônibus não passou, nem lotado, eu tive que pegar um carro de aplicativo e foi o dobro do valor. E o patrão não paga não, sai do meu bolso. O ônibus costuma passar de cinco em cinco minutos, mas, até agora, nada — incidente Cibele, que mora em Inhaúma, na Zona Norte.

A estudante de Educação Física Luma Cavalcante também enfrentou dificuldades. Ela estava há mais de uma hora em um ponto da Avenida Presidente Vargas, na Cidade Nova, sem previsão de conseguir deixar o local.

— Estou esperando para ir para o estágio. Só passei um ônibus bem lotado até agora. Não peguei porque fiquei com recebimento de me machucar — contorno.

Orientação do COR

O Centro de Operações de Resiliência (COR), da Prefeitura do Rio, orienta a população a dar preferência aos deslocamentos por metrô, trens e barcas, que operam normalmente. O Rio Ônibus informou que há 1.400 ônibus em circulação. O mínimo previsto pela decisão judicial é de 1.800 veículos, o equivalente a 50% da frota.

Segundo o sindicato patronal, o número de ônibus nas ruas nesta terça-feira é mais que o dobro do registrado no mesmo horário de segunda-feira. Durante a madrugada, não houve novos registros de vandalismo.

Ainda conforme o Rio Ônibus, os consórcios reforçaram o apelo para que motoristas e rodoviários compareçam às garagens e cumpram a decisão judicial que determina a operação de pelo menos 50% da frota.

O prefeito Eduardo Cavaliere orientou a população a optar por trens, metrôs ou barcas sempre que possível.

— Quem mora próximo ao metrô, ao trem e às barcas, eles são uma alternativa ao sistema de ônibus comum, que está com funcionamento irregular. Então, quem pode optar por esses modais certamente não terá qualquer intercorrência. No caso dos BRTs, a mensagem aos cariocas é que os BRTs estão funcionando com 70% da sua frota. Isso está dando vazão. Claro que não é o ideal, não é o tempo de intervalo ideal. A gente não tem o mesmo serviço expresso funcionando com a mesma frequência de um dia comum, mas, para um dia como hoje, que é atípico, os BRTs estão funcionando dentro do aceitável — afirmou.

Cavaliere também criticou os rodoviários das linhas municipais por, segundo ele, não cumprirem a determinação da Justiça.

— Infelizmente, os ônibus comuns, mais uma vez, não estão cumprindo a decisão judicial. O que a gente defende sempre é que a gente cumpra as decisões judiciais e espera que não só a decisão seja cumprida, como o cumprimento também tenha consequências — disse o prefeito.

Reforço nos trens e no metrô

O TrensRJ informou que preparou uma operação especial, com reforço na oferta de viagens em todo o sistema nesta terça-feira, em razão da greve. Segundo a transportadora, serão disponibilizadas 30 viagens extras ao longo do dia, além do nível convencional, com redução dos intervalos nos horários de maior demanda, especialmente nos períodos da manhã e da tarde.

A operação terá ainda reforço das equipes de estações, segurança, manutenção e monitoramento operacional, com atuação voltada à orientação e ao suporte aos clientes durante o período de maior fluxo. O TrensRJ informou que monitorará a movimentação nas estações em tempo real e poderá realizar ajustes operacionais adicionais, se necessário, para garantir mais fluidez e segurança.

Veja como está a circulação nos ramos:

Ramal Japeri: intervalo médio de 8 minutos.

Ramal Santa Cruz: intervalo médio de 9 minutos.

Ramal Deodoro: intervalo médio de 8 minutos.

Ramal Saracuruna: Gramacho x Central do Brasil com intervalo médio de 12 minutos; Saracuruna x Gramacho com intervalo médio de 30 minutos.

Ramal Belford Roxo: intervalo médio de 15 minutos.

O MetrôRio informou que segue com operação reforçada nesta terça-feira.

BRT

A MOBI-Rio informou que, às 6h desta terça-feira, o sistema BRT registrou aumento de 26% da frota em operação na comparação com a segunda-feira. Segundo a companhia, nos horários de pico de segunda, a frota atingiu 68% do plano operacional previsto.

De acordo com a MOBI-Rio, dos 541 articulados que costumam circular nesse horário, 361 estavam nas ruas nesta terça-feira, o que representa 67% da operação programada.

Audiência pode definir rumores da greve

A principal expectativa para esta terça-feira é a audiência de mediação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus, marcada para as 11h, no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1). Após a reunião, o sindicato convocou assembleia da categoria para as 11h30, em frente ao tribunal. A expectativa é que as negociações resultem em uma proposta de acordo capaz de encerrar a greve.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a categoria manterá a paralisação até a realização da audiência.

— Esperamos sinceramente que o TRT defina essa situação para que os usuários não continuem sendo prejudicados. O fato de a Justiça considerou a legalidade da greve é ​​de grande importância e uma grande vitória para a categoria, pois cancela as dificuldades que os trabalhadores do setor causam danos durante todos esses anos, com interrupções defasadas, terminais sem banheiros e bebedouros e aumento da violência — afirmou.

O dirigente também disse que, até o momento, o sindicato não recebeu retorno das empresas sobre as reivindicações apresentadas.

Os rodoviários reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus rodoviários, R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados, aumento no vale-alimentação e ampliação da jornada de trabalho em escala 5x2.

No sábado, o TRT-1 cumpriu a legalidade da greve e negou o pedido do Rio Ônibus para declarar a paralisação ilegal. A desembargadora Maria Helena Motta determinou que pelo menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação e fixe uma multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos em caso de descumprimento da decisão.

A magistrada também proibiu as empresas de contratar motoristas temporários para enfraquecer o movimento e demitir funcionários que aderirem à greve. O pedido para impedir descontos salariais será analisado posteriormente.

— O direito de greve é ​​garantia constitucional de extrema relevância, contudo deve coexistir harmoniosamente com a continuidade das atividades essenciais indispensáveis ​​ao atendimento das necessidades da comunidade. O transporte público urbano funciona como um serviço de suporte básico e sua interrupção integral inviabilizaria o deslocamento dos cidadãos e comprometeria o funcionamento de outros setores específicos, tais como hospitais, escolas e serviços de segurança pública. A extensão geográfica e a densidade demográfica do Município do Rio de Janeiro exclui um patamar de contingência superior para evitar o colapso completo da mobilidade urbana — afirmou a desembargadora.

*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef.