RJ em Foco
PF mira lavagem de dinheiro ligada a desvios de recursos públicos na saúde
Agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, a segunda fase da Operação Anáfora , com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro realizada oriunda de desvios de recursos públicos, especialmente aqueles destinados à área da saúde.
Ao todo, são cumpridos 14 mandatos de busca e apreensão. Dez foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal, e outros quatro pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), em razão do atual entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção do foro privilegiado de investigados mesmo após o fim do mandato.
Os mandatos são cumpridos em questões ligadas aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, na Região Metropolitana, e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Segundo a PF, a depuração sobre a lavagem de dinheiro foi aprofundada após a primeira fase da operação. As investigações apontam que os alvos manteriam bens em nome de terceiros, realizariam despesas incompatíveis com a própria capacidade financeira e participariam de negociações vinculadas a imóveis.
Os investigados poderão responder por crimes de organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros crimes que possam ser identificados no decorrer das investigações.
Primeira fase
Na primeira etapa, a Operação Anáfora investigou um suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pelo município de Duque de Caxias. O contrato, somado a seus aditivos, totalizou R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos.
Na ocasião, um dos alvos foi o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), que, à época, foi candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL). Os agentes cumpriram o mandato de busca e apreensão na residência de Reis.
De acordo com a decisão judicial que autorizou as buscas, a Polícia Federal apresentou suspeitas de favorecimento na contratação, pela Prefeitura de Duque de Caxias, da Renascer Cooperativa de Trabalho (Renacoop), responsável pela prestação de serviços médicos e especializados na rede municipal de saúde. A corporação também indicou declarações de sobrepreço no processo.
A PF ainda suspeitou de uma possível doação de tanques-rede para criação de peixes na Fazenda Paraíso, centro de tratamento de dependentes químicos mantido no município.
À época, Washington Reis informou, por meio de nota, que recebeu os agentes da Polícia Federal em sua residência, “com mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre um suposto favorecimento em contratos de uma cooperativa de trabalho”. Ele afirmou ter atendido aos policiais e se colocou à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Na mesma nota, o ex-prefeito declarou que a ação ocorreu sem qualquer interrupção ou dificuldade e que nada foi encontrado. Reis também afirmou que os policiais iriam na Fazenda Paraíso para cumprir outros mandatos de busca e apreensão, mas que não encontraram irregularidades no local.
O então governador do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Cláudio Castro, declarou, na ocasião, que respeitava o trabalho da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) e que aguardaria os desdobramentos da operação.
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