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Passageiros voltam a relatar falta de ônibus e pontos lotados no segundo dia de greve no Rio

Rodoviários e Rio Ônibus participam de mediação no TRT-1, enquanto paralisação mantém impactos no transporte público da cidade

Agência O Globo - 30/06/2026
Passageiros voltam a relatar falta de ônibus e pontos lotados no segundo dia de greve no Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Passageiros voltaram a relatar dificuldades para se deslocar nas primeiras horas desta terça-feira, segundo dia da greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, usuários afirmaram enfrentar falta de coletivos, pontos lotados e longas esperas, enquanto rodoviários e empresários se preparam para uma audiência de mediação marcada para as 11h, no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), na tentativa de encerrar a paralisação.

Greve continua

Em uma publicação, uma usuária afirmou que não encontrou nenhum veículo da linha de que precisava. “Nunca passei pela greve de ônibus e, de fato, não tem uma unidade do ônibus que eu preciso. Detalhe: só posso pegar um”, escreveu.

Outro usuário relatou falta de ônibus em Realengo: “Mais um dia de greve de ônibus e literalmente não passa uma linha. Aqui em Realengo, os pontos lotados”. Imagens compartilhadas nas redes sociais também mostram pontos de ônibus cheios em diferentes regiões da cidade.

Às 5h22, um passageiro relatou confusão entre rodoviários: “Pau quebrando dentro do ônibus, uma rapaziada de greve, outros querendo trabalhar, e eu aqui igual uma sardinha dentro da lata”.

A greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro entrou no segundo dia com expectativa de novos impactos sobre as linhas municipais e o sistema BRT. Sem acordo até o momento, a paralisação continua afetando o deslocamento de passageiros, especialmente nas primeiras horas da manhã.

No primeiro dia do movimento, usuários enfrentaram longas filas, atrasos e dificuldades para chegar aos seus destinos. Apesar da determinação da Justiça para que pelo menos 50% da frota de cada linha permanecesse em circulação, passageiros relataram demora na passagem dos coletivos, ônibus lotados e baixa oferta de veículos em diferentes regiões da cidade.

Segundo o Rio Ônibus, cerca de 800 ônibus circularam pela cidade durante a paralisação. A entidade informou ainda que aproximadamente 40 coletivos foram vandalizados e afirmou que as empresas permaneceram mobilizadas para colocar as frotas em operação.

A Mobi-Rio informou que o BRT operou com 68% da frota planejada. Até as 7h30 de segunda-feira, 278 veículos circulavam pelos quatro corredores do sistema, com todas as estações abertas.

Audiência pode definir rumos da greve

A principal expectativa para esta terça-feira é a audiência de mediação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus, marcada para as 11h no TRT-1. Após a reunião, o sindicato convocou uma assembleia da categoria para as 11h30, em frente ao tribunal. A expectativa é que as negociações resultem em uma proposta capaz de encerrar a greve.

Paralisação

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a categoria manterá a paralisação até a realização da audiência.

“Esperamos sinceramente que amanhã o TRT já defina essa situação para que os usuários não continuem sendo prejudicados. O fato de a Justiça considerar a legalidade da greve é de grande importância e uma grande vitória para a categoria, pois reconhece as dificuldades que os trabalhadores do setor vêm sofrendo durante todos esses anos, com salários defasados, terminais sem banheiros e bebedouros e com o aumento da violência”, afirmou.

O dirigente também disse que, até o momento, o sindicato não recebeu retorno das empresas sobre as reivindicações apresentadas.

Prefeitura reforçou operação

No primeiro dia da greve, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a prefeitura mobilizou equipes desde a madrugada para reduzir os impactos da paralisação.

“Sempre vai ter, numa situação atípica como essa no dia de hoje, infelizmente, os casos que acabam acontecendo e atrapalhando a vida da população. Nosso papel está aqui, fazendo todo o esforço, mobilizando toda a equipe, garantindo que a gente minimize isso e que o mais rápido possível, uma vez resolvida a questão dos sindicatos, que a gente possa voltar à normalidade na cidade”, disse.

Segundo o prefeito, houve reforço da operação do BRT e de outros modais, como trens e metrô, para absorver parte da demanda de passageiros.

Os rodoviários reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais, R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, aumento no vale-alimentação e adoção da jornada de trabalho na escala 5x2.

No sábado, o TRT-1 reconheceu a legalidade da greve e negou o pedido do Rio Ônibus para declarar a paralisação ilegal. A desembargadora Maria Helena Motta determinou que pelo menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação e fixou multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos em caso de descumprimento da decisão.

A magistrada também proibiu as empresas de contratar motoristas temporários para enfraquecer o movimento e de demitir funcionários que aderirem à greve. O pedido para impedir descontos salariais será analisado posteriormente.

“O direito de greve é garantia constitucional de extrema relevância, contudo deve coexistir harmoniosamente com a continuidade das atividades essenciais indispensáveis ao atendimento das necessidades da comunidade. O transporte público urbano funciona como um serviço de suporte básico e sua interrupção integral inviabilizaria o deslocamento dos cidadãos e comprometeria o funcionamento de outros setores vitais, tais como hospitais, escolas e serviços de segurança pública (...) A extensão geográfica e a densidade demográfica do Município do Rio de Janeiro exigem um patamar de contingência superior aos 30% para evitar o colapso completo da mobilidade urbana”, afirmou a desembargadora.