RJ em Foco
Greve de ônibus no Rio continua após falta de acordo entre rodoviários e empresas
Categoria terá assembleia nesta terça-feira após audiência no TRT-1; primeiro dia de paralisação teve ônibus lotados, filas e veículos vandalizados
Os cariocas devem enfrentar nesta terça-feira mais um dia de transtornos nos deslocamentos pela cidade. Sem acordo entre rodovias e empresas de ônibus, a paralisação iniciada na segunda-feira continua pelo menos até o começo da tarde. Uma assembleia da categoria está prevista para ocorrer após a audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), marcada para as 11h.
Para tentar reduzir os impactos da greve, trens e metrô informaram que manteriam a operação reforçada. Na segunda-feira, com poucos ônibus nas ruas, os usuários enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho e voltar para casa, pouco antes do jogo entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo.
Greve continua
O TRT-1 determinou a circulação de ao menos 50% da frota de cada linha. Segundo o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas, dos 1,8 mil coletivos previstos, cerca de 900 foram às ruas. O descumprimento da decisão pode implicar multa diária de R$ 50 mil, aplicada tanto ao sindicato da categoria quanto ao patronal. Ainda de acordo com o Rio Ônibus, 50 veículos foram vandalizados.
Paralisação
A greve começou à meia-noite, após decisão tomada pela categoria na noite anterior, e afetou as linhas municipais e o sistema BRT. Os trabalhadores reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus rodoviários e de R$ 5 mil para motoristas de articulados, além de aumento no vale-alimentação e ampliação da jornada em escala 5 por 2. Garagens de empresas como a Redentor, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste, ficaram lotadas no início da manhã.
70% fazem BRT
Em entrevista à TV Globo, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o “tempo inteiro” da prefeitura foi mobilizado desde a madrugada, com atuação em terminais e nas garagens da Mobi-Rio para minimizar os impactos na cidade. Segundo ele, o trabalho buscou garantir 70% da frota do BRT em operação, percentual planejado para um dia de ponto facultativo. O prefeito também citou a mobilização de outros modais, como trens e metrô, para absorver parte dos passageiros após o anúncio da greve.
— Infelizmente, sempre haverá, numa situação atípica como a de hoje, casos que acabam atrapalhando a vida da população. Nosso papel é fazer todo o esforço, mobilizar a equipe e garantir que as pessoas minimizem isso. E que, o mais rápido possível, uma vez resolvida a questão dos sindicatos, a cidade possa voltar à normalidade — afirmou Cavaliere.
Passageiros enfrentam filas e atrasos
Para os passageiros, no entanto, a normalidade não era vista nas ruas. Desde as primeiras horas da manhã, os pontos de ônibus ficaram lotados, com os usuários sem saber como chegariam ao trabalho ou retornariam para casa. No Terminal Gentileza, que integra BRT, linhas convencionais e VLT, havia filas mais longas. Passageiros dizendo espera superior a 50 minutos. Os poucos ônibus que chegavam saíam lotados, com pessoas espremidas.
'Já estou muito atrasada'
A fiscal do supermercado Telma da Costa, de 61 anos, moradora da Penha, deveria ter iniciado o expediente às 7h. Às 7h30, porém, ainda aguardava no terminal pelo ônibus da linha 606, que faz o trajeto Gentileza—Engenho de Dentro.
— Meu patrão já deve saber que as coisas estão difíceis. Já estou muito atrasada — contorno.
Na Avenida Presidente Vargas, no Centro, o segurança Antônio Benedito, de 65 anos, também aguardava havia cerca de 25 minutos pelo ônibus da linha 472, que liga Triagem ao Leme. Depois de trabalhar das 19h às 7h nas lojas do Saara, ele tentou voltar para casa.
— Vou ter que pegar três conduções se ele não passar — disse, ao planejado incluir o VLT no trajeto.
O carregador da Ceasa Angelo Moreno, de 45 anos, também enfrentou dificuldades. Ele esperava havia mais de 30 minutos pelo ônibus da linha 362, que faz o trajeto Castelo – Honório Gurgel, e já sabia que chegaria atrasado ao trabalho.
— Se não conseguir ônibus, vou ter que pegar o metrô até Coelho Neto, que é mais caro. Meu chefe já está avisado — afirmou.
Nas redes sociais, as reclamações surgiram ainda mais cedo. Às 5h06, uma usuária publicou que aguardava pelo BRT desde as 3h50. "Era melhor a Mobi-Rio ter solto a nota de ontem dizendo que iria participar à greve. Desde 3h50 e nada!", escreveu.
A volta para casa também foi difícil. A alternativa para tentar chegar mais rápido era recorrer a carros por aplicativo, mas os passageiros reclamavam do alto valor das viagens. A expectativa da categoria é que a audiência desta terça-feira ajude a encerrar a mobilização.
Por meio de nota, a Mobi-Rio informou que o sistema BRT operava nos horários de pico de segunda-feira com 68% da frota programada para o dia de ponto facultativo. Para esta terça-feira, o planejamento operacional será de dia útil.
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