RJ em Foco
Rodoviários convocam assembleia para esta terça-feira, depois da audiência de conciliação no TRT
Greve iniciada à meia-noite atrapalhou a vida dos usuários de ônibus no começo do dia e também fez os passageiros enfrentarem dificuldade ao sair do trabalho, antes do jogo
Os cariocas deverão enfrentar mais um dia de transtornos para chegar ao trabalho. O Sindicato dos Rodoviários convocou para esta terça-feira, às 11h30, logo após a audiência de mediação do dissídio coletivo convocada para às 11h pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), assembleia da categoria na porta do tribunal. O presidente do sindicato Sebastião José espera que a categoria já saia de lá com uma proposta de acordo para colocar um ponto final na greve iniciada à zero hora desta segunda-feira.
A paralisação dos motoristas afetou as linhas municipais de ônibus e o sistema BRT, tendo atrapalhado a vida dos usuários de ônibus no começo do dia. Também fez os passageiros enfrentarem dificuldade ao sair do trabalho, antes do jogo do Brasil contra o Japão, pela Copa do Mundo. Os trabalhadores reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além de aumento no vale-alimentação e adoção da jornada de trabalho na escala 5x2.
– Esperamos sinceramente que amanhã o TRT já defina essa situação para que os usuários não continuem sendo prejudicados. O fato da justiça considerar a legalidade da greve é de grande importância e uma grande vitória para a categoria, pois reconhece as dificuldades que os trabalhadores do setor vêm sofrendo durante todos esses anos com salários defasados, terminais sem banheiros, bebedouros e que com o aumento da violência – afirmou o presidente do sindicato.
Sebastião lembra ainda que foram encaminhados ofícios para a direção do Rio Ônibus, prefeitura e consórcios cobrando o envio da escala para o cumprimento da tutela de urgência operacional determinado pela justiça. Até o momento, segundo o sindicalista não houve resposta.
Embora o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) tenha determinado a circulação de pelo menos 50% da frota de cada linha, dos 1,8 mil ônibus previstos para circular neste dia de paralisação, 860 estão nas ruas, segundo o Rio Ônibus. Passageiros se queixaram de pontos lotados e longas filas em terminais rodoviários.
O que se via nas ruas eram os poucos coletivos que passavam cheios. A alternativa de alguns usuários foi o carro por aplicativo, cujo preço ficou inflacionado. Alguns usuários relatam em alguns casos terem pagado o dobro do valor usual. Do Centro para Copacabana, por exemplo, a viagem de cerca de R$ 30 estava custando R$ 51.
Enquanto isso, no Terminal Gentileza, a espera por um ônibus da linha 606 e SV606 chegava a duas horas de espera. Segundo os passageiros, em dias normais, esse tempo não chega a cinco minutos.
– São 13h30, e eu estou aqui desde às 11h30 da manhã. Eu trabalho em um supermercado no Centro e queria chegar mais cedo para conseguir assistir ao jogo do Brasil lá, mas já vi que não vou conseguir – reclamada Wanderson Guimarães, de 24 anos.
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