RJ em Foco
Greve de ônibus no RJ: passageiros enfrentam ônibus lotados na volta para casa
Rodoviários reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de articulados, além de aumento no vale-alimentação e mudança para a escala 5x2
A greve dos rodoviários, que começou à meia-noite desta segunda-feira e atrapalhou a vida de quem foi para o ponto de ônibus nas primeiras horas do dia, também faz os passageiros enfrentarem dificuldades para sair do trabalho e irem assistir ao jogo do Brasil contra o Japão pela Copa do Mundo. A partida está prevista para às 14h e, por isso, alguns patrões libertaram os funcionários ao meio-dia (Estado e prefeitura decretaram ponto facultativo). O que se vê nas ruas são os poucos coletivos que passam, cheios.
Mumuzinho, Belo e Banda Eva:
Paralisação:
Na Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio, Márcia Regina, de 49 anos, aguardou mais que o normal por um ônibus das linhas 104 ou 109 para o Terminal Gentileza. Normalmente, um auxiliar de serviços gerais espera pelo transporte público por menos de cinco minutos. Hoje, no primeiro dia da greve dos motoristas, ela já esteve no ponto de ônibus há quase vinte minutos.
– Normalmente, eu saio do trabalho às 17h, mas hoje, fui liberado ao meio-dia por causa do jogo do Brasil. Mas ainda estou aqui e nada do ônibus. Ainda nem sei como está no Gentileza, mas já me avisaram que é complicado também. Espero conseguir chegar ao tempo do jogo — incidente ela, vestida com o uniforme da seleção.
Mudança:
Após mais alguns minutos de espera, Márcia desistiu do plano A e optou por pegar outro ônibus. O vendedor ambulante Nelson da Silva, de 74 anos, também enfrentou dificuldades para voltar pra casa. Ele, que havia ido ao Centro comprar panos para vender como camelô, estava no ponto há quase uma hora e aguardava o ônibus que o deixaria em Madureira.
– Este ônibus não demora tanto para passar, mas hoje está complicado. Espero conseguir chegar em casa a tempo de assistir ao jogo – desabafa. – Está difícil.
Tadáskía:
Filas para embarcar e opção por carro de app
Enquanto a cena comum na Central do Brasil é de um ônibus parado atrás do outro, o que se vê são poucos coletivos nesta tarde. Por isso, assim que algum veículo encosta no ponto de ônibus, dezenas de passageiros saem correndo e rapidamente o lotam. Pela janela, é possível ver bancos e corredores cheios, além de filas formadas para embarcar.
Já Bruna Carvalho, de 44 anos, saiu de casa para acompanhar uma amiga na realização de um exame no Centro. Pela manhã, eles aguardaram meia hora pela condução, que costumam passar a cada quinze minutos, mas tiveram que optar pelo transporte de aplicativo para não chegar atrasadas. A falta de ônibus também tornou difícil o retorno para casa.
– Por enquanto, só passou um "frescão" (ônibus executivo), que é mais caro que o ônibus normal. Vamos acabar pedindo carro de aplicativo de novo, que é mais caro que o valor normal — explica.
Intervenções:
Aumento de carisma
A paralisação dos motoristas começou às 0h, após decisão tomada na noite de domingo pela categoria. A greve afetou as linhas municipais de ônibus e o sistema BRT. Os trabalhadores reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus rodoviários e de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados, além de aumento no vale-alimentação e ampliação da jornada de trabalho na escala 5x2.
Embora o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) tenha determinado uma circulação de pelo menos 50% da frota de cada linha, dos 1,8 mil ônibus previstos para circular neste dia de paralisação, 860 estão nas ruas, segundo o Rio Ônibus. Passageiros se queixaram de pontos lotados e longas filas em terminais rodoviários.
Uma audiência de mediação entre rodovias e empresas de ônibus está marcada para as 11h desta terça-feira, no TRT-1. Presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José convocou uma assembleia da categoria às 11h30, em frente ao tribunal, logo após a reunião. Segundo ele, a expectativa é de que trabalhadores e empresas saiam da audiência com uma proposta de acordo que permita o encerramento da greve, considerada legal pela Justiça.
— Esperamos sinceramente que amanhã o TRT já defina essa situação para que os usuários não continuem sendo prejudicados. O fato de a Justiça considerou que a legalidade da greve é de grande importância e uma grande vitória para a categoria, pois cancela as dificuldades que os trabalhadores do setor apresentam danos durante todos esses anos, com interrupções defasadas, terminais sem banheiros e bebedouros e com o aumento da violência — afirmou Sebastião.
'Estava com dificuldades',
Reforços nos transportes
A TrensRJ afirmou que a operação dos trens será reforçada nesta segunda-feira. Serão feitas viagens extras para todos os ramais pela manhã e por volta do meio-dia, para atendimento da demanda adicional prevista pela greve de ônibus municipais e antecipação do retorno para casa devido ao jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.
A circulação dos trens segue de acordo com os intervalos abaixo:
Ramal Japeri: intervalo médio de 8 minutos
Ramal Santa Cruz: intervalo médio de 9 minutos
Ramal Deodoro: intervalo médio de 8 minutos
Ramal Saracuruna: Gramacho x Central do Brasil - intervalo médio de 12 minutos; Saracuruna x Gramacho - intervalo médio de 30 minutos
Ramal Belford Roxo: intervalo médio de 15 minutos
O MetrôRio informou que também reforçou a operação, ampliando a oferta de composições para os clientes.
BRT
Já a Mobi-Rio afirmou que opera com 68% da frota planejada. Até 7h30, 278 veículos cobriram os quatro corredores do sistema BRT com todas as estações abertas.
Novo percurso:
*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef
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