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Passageiros relatam dificuldades para chegar ao trabalho no primeiro dia de greve de ônibus no Rio

Paralisação começou à meia-noite desta segunda-feira; Justiça determinou circulação de 50% da frota por linha

Agência O Globo - 29/06/2026
Passageiros relatam dificuldades para chegar ao trabalho no primeiro dia de greve de ônibus no Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Os passageiros enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho nas primeiras horas desta segunda-feira, primeiro dia da greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, usuários relataram falta de coletivos e de veículos do BRT, além de pontos lotados, apesar da decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) que determinou a circulação de pelo menos 50% da frota de cada linha.

A paralisação começou às 0h, após decisão da categoria tomada na noite de domingo, e afetando linhas municipais de ônibus e o sistema BRT. Os trabalhadores reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus rodoviários e de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados, além de aumento no vale-alimentação e ampliação da jornada de trabalho em escala 5x2.

Por volta das 5h, um passageiro publicou nas redes sociais: "Nenhum ônibus rodando. Até o @BRTMobiRio, que disseram que estaria rodando 50% da frota, até agora só passou dois carros de Madureira, carro 35 para Alvorada, desde as 04:00 na Estação Praça Seca. Só o Caxias intermunicipal rodando" .

Outra usuária escreveu: "Os pontos cheíssimos e aderiram à greve mesmo" . Uma terceira passageira afirmou que não conseguiu seguir para o trabalho: "Eu me arrumei toda, saí de casa e, mesmo assim, não consegui ir por causa da greve dos ônibus do Rio. Tô super a favor dos motoristas, a causa é superjusta, mas vou levar falta" .

Às 5h06, outra usuária relatou a ausência de veículos do BRT desde as 3h50. "Era melhor a Mobi Rio ter solto a nota de ontem dizendo que iria voltar à greve, desde 3h50 e nada!" , publicado. Também houve relatos de falta de veículos em Madureira.

Justiça determinou circulação mínima

No sábado, o TRT-1 cumpriu a legalidade da greve e determinou que pelo menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação. A decisão foi proferida pela desembargadora Maria Helena Motta, que negou o pedido da Rio Ônibus para declarar a paralisação ilegal.

O sindicato patronal havia informado que 90% dos veículos circulavam nos horários de maior movimento, além da proibição de bloqueios em garagens e vias públicas.

Na decisão, a magistrada destacou que o direito de greve deve coexistir com a continuidade dos serviços essenciais.

"O direito de greve é ​​garantia constitucional de extrema relevância, contudo deve coexistir harmoniosamente com a continuidade das atividades essenciais indispensáveis ​​ao atendimento das necessidades da comunidade. O transporte público urbano funciona como um serviço de suporte básico e sua interrupção integral inviabilizaria a mobilidade dos cidadãos e comprometeria o funcionamento de outras áreas específicas, tais como hospitais, escolas e serviços de segurança pública (...) da mobilidade urbana" , escreveu.

A desembargadora fixou multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos caso o percentual mínimo de circulação não seja cumprido. Ela também proibiu as empresas de contratar motoristas temporários para enfraquecer a greve ou demitir funcionários que participem do movimento. Uma análise sobre eventuais descontos salariais pelos dias parados ocorrerá para uma fase posterior do processo.

Sindicato manteve paralisação

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a greve será mantida e que a categoria cumprirá a determinação judicial.

— A greve é ​​mantida e vamos cumprir o determinado pela Justiça, que é a de que ambas as partes mantêm 50% da frota circulando nos horários de pico. Inclusive, já encaminhamos ofício para a direção do Rio Ônibus e consórcios para o cumprimento, mas ainda não recebemos nenhum retorno por parte dos empresários. Determinação é para ser cumprida e não discutida — disse.

Antes da decisão do TRT-1, o sindicato dos trabalhadores havia pedido para manter apenas 30% da frota em circulação nos horários de pico e 15% no restante do dia, além da suspensão dos descontos salariais durante a paralisação.

Em nota, o Rio Ônibus informou que as negociações com o Sindicato dos Rodoviários ainda estão abertas e que as empresas seguem empenhadas na busca de uma solução. A entidade afirmou ainda que a operação desta segunda-feira será normal.

A Mobi Rio, empresa pública responsável por algumas linhas municipais e pelo sistema BRT, também informou que a operação ocorrerá normalmente. Já a Prefeitura do Rio declarou que acompanha a situação e que adotará medidas para reduzir os impactos à população. O município também informou que solicita à Justiça o aumento do percentual mínimo de veículos em circulação.