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'Ah, minhas filhas... Papai ama tanto vocês!': pai de meninas mortas em desabamento na Ilha faz desabafo durante sepultamento

Anderson Mello, pai das meninas, passou mal e precisou receber atendimento médico após o sepultamento

Agência O Globo - 27/06/2026
'Ah, minhas filhas... Papai ama tanto vocês!': pai de meninas mortas em desabamento na Ilha faz desabafo durante sepultamento
'Ah, minhas filhas... Papai ama tanto vocês!': pai de meninas mortas em desabamento na Ilha faz desabafo durante sepultamento - Foto: Ilustração de IA

Sepultadas lado a lado, Agatha, de 4 anos, e Vitória Aleixo Leandro de Mello, de 11, receberam a última homenagem na tarde desta sexta-feira, no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador. Em um dos momentos mais comoventes da cerimônia, parentes e amigos ajudaram a colocar os pequenos caixões brancos nos jazigos, enquanto davam apoio aos pais das meninas, Anderson Mello e Renata Aleixo. As irmãs morreram no desabamento da casa em que a família morava, na comunidade Praia da Rosa, também na Ilha.

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O relacionamento dos pais com as meninas foi descrito por vizinhos e parentes como "um grude". As meninas estavam sempre de mãos dadas com a mãe e viviam agarradas ao pai. Anderson fazia todas as vontades da pequena Agatha e de Vitória. No Natal passado, as meninas o convenceu a colocar a mesa da ceia na varanda de casa. Durante o velório, o pai passou mal e precisou ser carregado por dois conhecidos para fora do cemitério. A mãe ficou o tempo inteiro cercada e amparada por duas mulheres.

Além de parentes e amigos, agentes do Corpo de Bombeiros foram ao cemitério para prestar condolências à família. Segundo um dos bombeiros, Vitoria era uma das alunas do "Projeto Botinho", que é a colônia de férias gratuita do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, e foi muito difícil ter que procurar pelo corpo dela e da irmã nos escombros da casa. Na Ilha, o projeto é realizado pelo 19º GBM, que enviou equipes para a ocorrência nesta quinta-feira.

Elas estavam muito felizes, disse o pai

Na véspera da tragédia, segundo Anderson, as filhas comemoraram a vitória do Brasil na Copa do Mundo e, no dia do desabamento, as meninas estavam muito felizes. A família iria almoçar no shopping e comprar roupas para a festa junina que iriam em alguns dias.

Quando os dois caixões brancos foram colocados nas gavetas, Anderson agradeceu a presença de todos, abraçou a esposa e logo se virou para frente do jazigo vertical, onde tocou as madeiras e abaixou a cabeça aos prantos. O choro do pai era alto.

— Ah, minhas filhas... Papai ama tanto vocês! Eu amo vocês! — se declarou enquanto era abraçado por trás pela esposa. Renata manteve a cabeça baixa e os olhos fechados, em total silêncio. — Senhor, me dá forças! Dói tanto!

Fogos de artificio e balões brancos com fitas rosas foram soltos em homenagem às meninas. Depois que os caixões foram colocados nas gavetas, uma oração foi feita e tanto Anderson quanto Renata não ficaram para ver a gaveta sendo lacrada. O pai passou mal novamente e precisou receber atendimento em uma ambulância que estava no local.

Longe dali, no local da tragédia, outra cena comovente registrada pela Rádio CBN. O cachorro da família, que foi resgatado com vida, insiste em permanecer no local em que eles moravam. O animal parece desolado com um olhar baixo e permanece próximo aos pertences das meninas.

A comoção também tomou conta da comunidade escolar. Em publicação nas redes sociais, o Colégio Notre Dame informou que o pátio e toda a escola estão "em silêncio e em oração" pela morte de Agatha, que estava no Pré 2. A instituição descreveu a menina como uma criança de "bondade, ternura e luz". Além da internet, funcionários do colégio estiveram no cemitério para prestar condolências à família.

– Tivemos muitos momentos de felicidade com a Agatha – conta sorrindo a Irmã Odilla, de 76 anos, ao lembrar da aluna – Mas tivemos esta surpresa ontem, infelizmente. Uma tragédia o que aconteceu com ela e a irmã.

Enquanto a família se despedia das duas crianças, a Defesa Civil realizou uma nova vistoria no imóvel de três andares que desabou completamente. A perícia busca avaliar as condições das construções vizinhas e identificar as causas do colapso que provocou a morte das irmãs.

E a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que "prestou assistência a família, com oferta de acolhimento neste primeiro momento, mas optaram em ficar na casa de parentes. Após o sepultamento, a família será atendida novamente para a oferta de insumos emergenciais".

*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef