RJ em Foco
Onça resgatada em favela do Rio está em unidade do Ibama fechada por surto de tuberculose em macacos
Felino é um dos 989 bichos acolhidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Seropédica, na Baixada Fluminense
Resgatada pela Polícia Federal de um cativeiro improvisado que funcionava no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, uma onça-parda, macho e atualmente com três anos de idade, está entre os 989 bichos acolhidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-RJ), em Seropédica, na Baixada Fluminense. A unidade, única do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) no Rio de Janeiro capacitada para reabilitar e devolver à natureza aves, mamíferos e répteis, está temporariamente fechada e impedida de receber resgates e apreensões por conta da descoberta de um surto de tuberculose que atingiu parte da população de macacos-prego.
Na Região dos Lagos:
Oruam:
Pelo menos três primatas já morreram. Por conta disso, a entrada e a saída de animais foram suspensas no último dia 18 de maio. A onça foi apreendida quando ainda era filhote, em setembro de 2023. Segundo a investigação da época, o animal silvestre seria vendido por R$ 20 mil, o que é proibido por lei.
A apreensão aconteceu após um trabalho de inteligência da Polícia Federal em conjunto com a Força Especial de Controle de Divisas (Operação Foco), além da participação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) e da colaboração dos próprios moradores da comunidade.
Ninguém foi preso durante a apreensão da onça. Segundo a polícia, naquela ocasião, os envolvidos no caso responderiam por crimes de tráfico de animais e maus-tratos.
Além do felino acima mencionado, outra onça-parda, esta fêmea e com três anos de idade, também está acolhida no Cetas-RJ. Cada um dos animais citados consome seis quilos de carne por dia. As duas onças e 20 macacos-prego fazem parte de uma lista de animais para os quais deverá ser buscada uma destinação pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) e pelo governo estadual.
No dia 25 de julho de 2024, um acordo judicial envolvendo o Inea e o Ibama foi assinado pelas partes. Entre os compromissos assumidos estava a responsabilidade de o estado fornecer ração, alimentos e medicamentos, além de contratar exames laboratoriais — despesas que, segundo o órgão, superam R$ 3 milhões anuais.
O acordo também estabelecia que o estado deveria alocar temporariamente no Cetas-RJ um veterinário, um biólogo e um auxiliar administrativo, além de buscar destinação para 20 macacos-prego e duas onças-pardas.
O Ibama alegou que, até agora, quase nada foi cumprido. Por conta disso, no dia 29 de abril de 2026, fechou o Cetas-RJ para o recebimento de animais apreendidos pelas autoridades estaduais. Vinte dias depois, houve o surto de tuberculose, e a unidade acabou sendo totalmente fechada e impedida de receber qualquer animal.
Segundo Rogério Rocco, superintendente do Ibama no Rio, análises feitas com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) confirmaram a tuberculose como causa da morte dos três macacos-prego. A suspeita é de que algum dos primatas tenha entrado no local já contaminado entre 2024 e 2025.
O que se sabe até agora é que um dos animais mortos foi resgatado em Petrópolis e encaminhado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Outro foi apreendido em Mangaratiba pela Polícia Federal. Um terceiro foi recolhido por agentes da Polícia Rodoviária Federal em Piraí. Como se trata de uma doença contagiosa, animais e funcionários estão sendo testados para tuberculose.
— Nós fechamos o Cetas-RJ de forma absoluta, suspendendo a entrada e a saída de animais, em razão de uma crise sanitária. Tivemos a morte de três macacos-prego em um período muito curto. As análises de necrópsia levantaram a suspeita de tuberculose. Então, procedemos a outras análises, com apoio da Fiocruz e da Universidade Federal Rural, que confirmaram a ocorrência da doença. Imediatamente, submetemos todos os servidores e colaboradores a exames de saúde e testagem. Foram cerca de 50 testes realizados com o apoio da Prefeitura de Seropédica e da Secretaria de Saúde. Um primeiro teste deu positivo, apontando que essas pessoas tiveram contato com a bactéria, mas, no segundo exame, foi confirmado que nenhuma delas desenvolveu a doença. Portanto, nenhum ser humano foi afetado — explicou Rogério Rocco, superintendente do Ibama no Rio.
Segundo o superintendente, um protocolo vermelho, de atendimento de emergência, foi acionado. A unidade foi dividida em zonas, com o estabelecimento de restrições de circulação. Além disso, servidores e tratadores passaram a usar equipamentos de proteção individual, como máscaras do tipo N95, que bloqueiam partículas suspensas no ar, incluindo bactérias e poeira. A previsão é que testes por amostragem sejam realizados nos próximos dias em alguns dos macacos remanescentes, atualmente distribuídos por oito recintos.
Procurado, o Inea alegou que ainda não foi notificado pelo Ibama e que vem atuando no cumprimento das obrigações assumidas no acordo. O órgão informou ainda que, desde setembro de 2024, disponibilizou profissionais para atuação direta no Cetas/RJ, nas áreas administrativa, biológica e médico-veterinária.
Sobre o fechamento do centro de triagem, o órgão alegou que, no momento, os casos envolvendo resgates de animais estão sendo realocados emergencialmente de acordo com a situação, a quantidade de animais, a região geográfica e o perfil patológico.
Mais lidas
-
1ALARME FALSO
'Misantropia': sistema da Defesa Civil é invadido e dispara mensagem falsa em várias cidades
-
2INFRAESTRUTURA
Governo inaugura duplicação da AL-110 entre Arapiraca e São Sebastião
-
3EVENTO
Arapiraca sediará evento internacional que reúne pesquisadores do Brasil e do exterior
-
4EDUCAÇÃO
Filho de Luciano Huck e Angélica relata principal dificuldade na preparação para o vestibular
-
5OCORRÊNCIA
Acidente envolvendo carreta deixa duas vítimas fatais no trecho da Chã dos Costas