RJ em Foco
Acidente fatal em Botafogo: especialistas criticam incapacidade de o Rio agir rápido quando via importante para o tráfego é bloqueada
Trânsito foi afetado em vários bairros, como Laranjeiras, Cosme Velho, Catete e Centro
Por volta das 5h de quinta-feira, um caminhão carregado com sacos de areia tombou ao tentar contornar a curva fechada que marca o início da Rua Muniz Barreto, em Botafogo, Zona Sul do Rio. O . O trágico acidente causou a interdição da via por quase cinco horas e escancarou uma velha vulnerabilidade da mobilidade carioca: a incapacidade da cidade de responder rapidamente quando uma de suas principais ligações viárias é comprometida.
Contas públicas:
Na Glória:
Embora o acesso ao Túnel Santa Bárbara não tenha sido fechado, a Rua Pinheiro Machado e o Viaduto Engenheiro Noronha, no sentido Botafogo, foram interditados ao tráfego das 7h59 às 9h22. Os motoristas tiveram que utilizar a saída lateral em direção à Rua das Laranjeiras, o que causou um congestionamento que se estendeu até o Viaduto 31 de Março pelo menos até a altura do Santo Cristo. A operação só foi completamente encerrada às 10h11. O trânsito foi afetado em vários bairros, como Laranjeiras, Cosme Velho, Catete e Centro
Para Marina Baltar, professora do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, o principal desafio durante uma situação como esta é fazer com que a informação chegue ao motorista antes de ele entrar na área congestionada. Em vez de apenas indicar desvios quando o problema já está formado, a cidade deveria utilizar, de forma mais eficiente, por exemplo, os painéis eletrônicos da Avenida Brasil, da Linha Vermelha e das saídas da Ponte Rio-Niterói, além de buscar integrar sua operação aos aplicativos de navegação.
— Nesse caso, quem vem da Zona Norte poderia optar pelo Rebouças antes de chegar ao Santa Bárbara, desde que fosse avisado com antecedência. No caso dos aplicativos, que hoje são os maiores informantes dos motoristas, poderiam ser enviadas mensagens pelo Táxi Rio, por exemplo, e estabelecer convênios com outros que são muito usados — sugere.
Armamento pesado:
Baltar também defende ajustes imediatos na programação semafórica para favorecer as rotas alternativas e ampliar o uso de painéis móveis. A professora ressalta, no entanto, que existe um problema estrutural que limita as possibilidades de resposta.
— O Rio é uma cidade cercada por montanhas e pelo mar. Existem poucas ligações entre suas principais regiões. Não é uma cidade quadriculada, onde basta fechar uma rua e desviar para a seguinte.
Seropédica:
Planos específicos
Para o especialista em gerenciamento de riscos Gerardo Portela, justamente por conhecer essas limitações, a cidade deveria possuir planos específicos para cada corredor viário estratégico:
— O principal caminho é identificar as vias mais críticas da cidade e elaborar, para cada uma delas, planos de ação específicos para situações de emergência.
Copa do Mundo:
O GLOBO pediu à prefeitura informações sobre o acionamento de painéis nas vias expressas, ajuste nos tempos dos semáforos, uso de painéis móveis e emprego de agentes no caso do acidente de ontem, mas não obteve resposta.
Também pela manhã, quem ia para a Zona Sul de metrô enfrentou transtornos na Linha 1, que apresentou intervalos irregulares. A concessionária relatou que houve um problema na sinalização. Passageiros enfrentaram demora, trens cheios e plataformas lotadas. A companhia informou que pouco antes das 9h o serviço foi normalizado.
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