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'Elas estavam em casa', disse mãe ao chegar do trabalho e ver a casa desabada; as duas filhas morreram

A mãe passou mal e foi levada carregada até à Clínica da Família para atendimento médico

Agência O Globo - 26/06/2026
'Elas estavam em casa', disse mãe ao chegar do trabalho e ver a casa desabada; as duas filhas morreram
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A mãe de Vitória, de 11 anos, e Agatha, de 4, tinha acabado de chegar do trabalho de cuidadora de idosos quando viu a casa de três andares em que morava com as filhas e o marido, Anderson, desabada. No momento do colapso do imóvel, as meninas estavam dentro de casa se arrumando para a escola. A confirmação das mortes veio por volta do meio-dia, depois de quase cinco horas de buscas. A mãe precisou ser carregada até à Clínica da Família para receber atendimento médico. Vizinhos auxiliaram nas buscas e o pai, que estava no trabalho, voltou para casa ao saber do desabamento.

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— Eu ouvi um barulho muito alto e depois os gritos da mãe delas — conta Carla Oliveira, de 51 anos, vizinha da família a cerca de 7 anos, na comunidade Praia da Rosa, no Tauá, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. — Ela pedia socorro e ajuda, e andava desesperada pela rua. Um vizinho perguntou pelas meninas e ela respondeu que as duas estavam em casa, se arrumando para a escola. Foi desesperador.

Quando ficou sem forças, Renata sentou no chão próximo ao imóvel que colapsou e continuou gritando de dor enquanto chorava. Um pouco mais tarde, segundo os vizinhos, ela precisou ser carregada à Clínica da Família Maria Sebastiana de Oliveira para receber atendimento médico.

— As meninas eram muito agarradas a mãe. Ela que as levava para a escola. E sempre que andava aqui na rua com elas estava de mãos dadas com as duas, segurando bem firme — lembra ao mostrar como Renata segurava Vitória e Ágata. — Ela está inconsolável.

Por volta das 13h da tarde, o carro da Defesa Civil saiu do local levando os corpos das duas meninas. Ao redor, os vizinhos e moradores e da comunidade observavam a cena com tristeza e sem acreditar no que tinha acontecido.

— Ela estava sempre acompanhada das meninas, sempre passava com elas por aqui, na rua. E perdeu as duas ao mesmo tempo, isso tudo é muito triste — lamenta Vicência Gonçalves, 72 anos.

Vizinhos e moradores de outras ruas da comunidade se voluntariaram para ajudar na remoção dos escombros. O pai das meninas chegou um pouco depois, quando foi avisado no trabalho do desabamento. As buscas já aconteciam quando ele chegou ao local, e precisou ser amparado por bombeiro.

— Ele me perguntou se eu tinha visto alguma coisa nos escombros, e eu disse que não. Ele perguntou se elas estavam vivas e eu fiquei em silêncio, pois já sabia da resposta — contou Rafael Campos, de 33 anos, um dos primeiros a chegar na casa após o desabamento e a ajudar os regastistas na retirada dos escombros. O mototaxista disse que soube que o pior tinha acontecido devido ao silêncio toda vez que os bombeiros soavam o apito e pediam silêncio para ouvirem pedidos de socorro.

Uma mulher e uma criança chegaram a ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros com vida e sem ferimentos. E uma vistoria foi realizada pela Defesa Civil em todos os imóveis vizinhos da casa e, por causa do desabamento, alguns acessos e imóveis estão interditados. Segundo o porta-voz, em entrevista à Tv Globo, a Secretaria de Conservação e a Comlurb seriam responsáveis para retirar esse risco e liberar o acesso aos moradores.

Um dos momentos mais comoventes do trabalho de resgate foi quando, depois do encontro dos corpos e confirmada a morte das duas meninas, parentes, moradores, bombeiros e equipes da prefeitura se uniram numa oração pelas vítimas. A causa do desabamento ainda não foi revelada. E, ainda segundo o porta-voz, a perícia da Polícia Civil está a caminho e assim que concluírem o seu trabalho, a Defesa Civil dará início à demolição do que ainda restou da edificação.

O governador em exercício, Ricardo Couto, publicou uma nota de pesar se solidarizando com a família das vítimas. Leia abaixo a nota na íntegra:

Recebi com profunda tristeza a notícia da morte de duas crianças, de 04 e 11 anos, vítimas do desabamento de uma edificação na comunidade Praia da Rosa, Ilha do Governador, na manhã desta quinta-feira (25/06). Neste momento de dor, me solidarizo com os familiares, amigos e moradores, que enfrentam essa perda. Nenhuma palavra é capaz de amenizar o sofrimento provocado por uma tragédia como esta. Desde os primeiros momentos da ocorrência, acompanhei a atuação das equipes do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, que socorreram duas vítimas com vida. Os bombeiros trabalharam com rapidez, dedicação e empenho nas operações de busca e resgate, mobilizando todos os recursos necessários. O Governo do Estado prestará todo o apoio aos familiares das vítimas neste momento difícil.

*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef