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MPRJ analisa câmeras de policiais do Bope e aponta retirada de equipamentos em megaoperação

Relatório enviado ao STF informa que 17,6% dos agentes analisados retiraram câmeras corporais durante ação no Rio

Agência O Globo - 25/06/2026
MPRJ analisa câmeras de policiais do Bope e aponta retirada de equipamentos em megaoperação
MPRJ

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) concluiu a análise das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) de 51 policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) que participaram da megaoperação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, em 28 de outubro de 2025.

A ação deixou 122 mortos — 117 suspeitos e cinco policiais. Segundo o MPRJ, os investigadores identificaram a retirada do equipamento em 17,6% dos casos analisados e encontraram indícios de obstrução intencional da imagem em 7,8% das gravações.

Também foi constatado que, em 11,8% dos registros examinados, havia pessoas feridas. Em todos esses casos, de acordo com o relatório, os agentes prestaram socorro. As informações constam em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O MPRJ analisa mais de 3.600 horas de gravações produzidas por policiais militares do Rio de Janeiro e elabora relatórios sobre o material. A decisão de iniciar a análise pelos agentes do Bope foi tomada porque, segundo o órgão, os depoimentos colhidos indicam que a maior parte dos policiais que atuaram na mata — onde ocorreu a maioria das mortes — pertencia ao batalhão.

No material examinado até o momento, o MPRJ informou ainda que não foram identificadas prisões em nenhuma das gravações dos 51 policiais. No documento, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, ressalta que os dados ainda estão em fase embrionária e deverão ser analisados em conjunto com os demais elementos produzidos pelas equipes responsáveis pela investigação.

Paralelamente à análise das imagens, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) ouve policiais que participaram da operação e se envolveram em confrontos armados. Até o último relatório enviado ao STF, no mês passado, 204 agentes já haviam prestado depoimento.

Retorno do tráfico

No documento enviado ao STF, o MPRJ também relatou as tentativas de incursão do órgão nas comunidades onde a megaoperação ocorreu. Após a ação policial, considerada a mais letal da história do país, relatórios elaborados pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência desaconselharam a presença física de equipes na região, em razão dos riscos a promotores e técnicos.

Em 15 de dezembro, foi realizada uma análise do local para verificar a possibilidade de entrada das equipes na comunidade e obtenção de novas informações. A avaliação apontou que o tráfico já havia retomado suas atividades com força após a operação policial.

As equipes sobrevoaram a área do Complexo da Penha com um drone e constataram a presença de barricadas e de possíveis pontos de venda de drogas em funcionamento. Também foram registrados a circulação de indivíduos armados e indícios do uso de equipamentos antidrone por criminosos.

O retorno das atividades do tráfico também foi constatado pelo jornal EXTRA à época. Nove dias após a operação, equipes de reportagem flagraram um ponto de observação de criminosos em plena atividade na Serra da Misericórdia, região que separa os complexos do Alemão e da Penha.

Contato com familiares

Outra frente adotada pelo MPRJ na investigação sobre a megaoperação é a oitiva de parentes das vítimas da ação policial. Segundo o relatório enviado ao STF, o órgão identificou 178 pessoas com vínculo de parentesco ou afinidade com os mortos.

Até a última atualização encaminhada ao Supremo, apenas 37 parentes haviam prestado declarações aos promotores.