RJ em Foco
Após confrontos no Dona Marta, escolas em Botafogo retomam a rotina
Polícia Militar informa que o policiamento segue reforçado na região da comunidade, na Zona Sul do Rio
Um dia após uma manhã de caos e pânico, marcada por intensos confrontos entre policiais e traficantes no Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, o bairro voltou à rotina nesta quarta-feira. As escolas funcionam normalmente, e a Polícia Militar informou que equipes do 2º BPM (Botafogo) reforçam o policiamento e monitoram a região da comunidade.
Escolas funcionam normalmente
O Colégio Santo Inácio retomou as atividades normalmente, segundo informou sua assessoria de imprensa. Na terça-feira, a unidade havia orientado pais e responsáveis a não levarem os estudantes à escola. A Escola Sá Pereira, que também recomendou a suspensão da ida dos alunos às aulas pela manhã, informou que a rotina segue sem qualquer problema.
Cenário de guerra
A operação realizada na terça-feira tinha como alvos integrantes do Comando Vermelho que atuam no Dona Marta. Na chegada dos agentes à comunidade, traficantes reagiram e abriram fogo, dando início a um confronto que deixou ferido Paulo Márcio do Nascimento, de 41 anos, passageiro de um ônibus.
Janelas de apartamentos e uma Igreja Metodista, localizados na Rua São Clemente, em frente à entrada da favela, também foram atingidas por disparos.
Moradores de Botafogo e de bairros vizinhos, como Humaitá, Laranjeiras e Copacabana, relataram nas redes sociais um cenário de guerra, com tiros e barulhos de explosões de granadas. No topo do morro, fora da favela, visitantes que aguardavam o nascer do sol no Mirante Dona Marta, ponto turístico da cidade, ficaram impedidos de deixar o local por causa do tiroteio.
44 investigados
A ofensiva da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) mirou 44 suspeitos investigados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a Polícia Civil, a forte reação dos criminosos demonstra a importância estratégica do Dona Marta para o Comando Vermelho.
Foram cumpridos mandados de prisão contra seis suspeitos. O delegado Paulo Saback, da DRE, afirmou que o confronto iniciado pelos criminosos tinha o objetivo de atrasar a entrada dos agentes na comunidade e permitir a fuga de chefes do tráfico.
Entre os principais alvos estava Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como Mexicano, que escapou do cerco por uma área de mata.
De acordo com as investigações, iniciadas há 22 meses, Mexicano atua sob as ordens de Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, preso em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Mesmo custodiado em uma unidade federal desde 2016, a Polícia Civil aponta que ele continua exercendo influência sobre a facção e repassando ordens a integrantes do grupo criminoso.
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