RJ em Foco
Turismo no interior do Rio tem alta com chegada do inverno, grande oferta de casas de temporada e experiências rurais
Colheita de morango, vivência com animais e mais atrativos levam milhares ao interior do estado
A casa no campo aparece nos sonhos de quem vive na cidade grande não é de hoje. Assim como o filho de cuca legal é um lugar para plantar amigos e livros, como já diziam os compositores “Tavito e Zé Rodrix nos anos 1970. O século é outro, mas o desejo permanece. Ele se aquece ainda mais no inverno, que começa amanhã. De acordo com o Climatempo, as massas de ar frio de origem polar vão avançar com mais abrangência na próxima semana. Na Serra, no entanto, hoje e amanhã, as temperaturas mínimas já serão expressivas. Teresópolis marcará 11ºC e 13ºC de mínimas hoje e amanhã. Em Friburgo, as tarifas devem baixar ainda mais: 10º C neste sábado, já na véspera do inverno.
Sexo em local público:
Exclusividade e sofisticação:
O clima ameno motiva cada vez mais grupos de amigos, casais e famílias a buscarem experiências distantes do que a vida urbana pode proporcionar. As hospedagens atendem a diversos perfis: quem preza por estadias confortáveis – e às vezes confortáveis – a quem valoriza a simplicidade natural do interior.
O êxodo sazonal é tão significativo que o estado do Rio já ocupa o segundo lugar entre os destinos mais procurados na estação mais fria. O Booking.com informa que entre julho e agosto de 2026 o Rio aparece à frente de Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Está atrás só em São Paulo, um levantamento que considera buscas por organizações realizadas entre 1º de maio e 17 de junho de 2026.
A moradora da Tijuca Morgana Braga Bittencourt, de 49 anos, foi à procura de ar puro e aconchego em Sapucaia, a 160 quilômetros da capital. Lá, ela conheceu a Capriana, primeira Granja Leiteira de Cabras do Brasil, do engenheiro Javier Maciel. A paz, o acolhimento e o contato com a natureza fizeram a administradora se encantar com a experiência e planejar o retorno com mais 20 pessoas.
Rio das Pedras:
— Passei um dia perfeito e quis levar rapidamente todo o mundo. Meu aniversário de 50 anos, em agosto, vai ser lá. Sempre fui bucólico, mas carioca nata, não tenho esse contato com a natureza e com os animais. Quis ir para viver um dia diferente, desconectado. A gente aprende muito. Ouvi, por exemplo, que o êxodo tem diminuído ali. O Javier mostra que é possível ser feliz e bem-sucedido num pequeno local, no interior — diz Morgana. — Eu sou esse tipo de programa. Para mim, é importante sair no fim de semana sair de compras, do barulho, da violência da cidade.
Sequestrado por traficantes:
A Granja Capriana, que já tem uma história de mais de dez anos na produção leiteira, abriu recentemente o serviço de hospedagem e o de visitação turística, há três meses, de modo experimental. O público cresceu seis vezes de março a junho. A partir de agora, todo fim de semana há visitas abertas para experiências de café da manhã com produtos locais, caminhada, interação com animais. Adultos pagam R$ 199 e pequenos de 5 a 12 anos, R$ 99.
— As crianças vão embora chorando (risos) — brinca Javier Maciel, que explica por quê decidiu diversificar o negócio. — Essa abertura cria uma sinergia que não se reflete apenas na receita, que é fundamental para o produtor rural, mas na propagação de ideias e valores. Quando o pessoal da cidade vem aqui e conhece a origem dos alimentos, vira um agente multiplicador — diz o argentino que está no Brasil há 16 anos.
Fora do governo:
Mundo fora, o turismo de interior — de 40km a 240km das grandes cidades — tem sido acompanhado por uma maior procura de hospedagens que se adequem a rotinas mais ou menos flexíveis. Para este filho, as casas de aluguel por temporada ou aluguel de curta duração, como se diz na gringa,se multiplicam.
— O turismo é condicionado e muito influenciado pela sazonalidade e pelas dinâmicas de trabalho. Se as pessoas têm poucas folgas, por exemplo, elas acabam viajando, usufruindo do tempo livre em destinos perto de casa. O clima também influencia esses fluxos. Então, muitos viajantes buscam uma experiência diferente de sua rotina — explica Clara Lemos, turismóloga e professora da Uerj, que alerta para outros impactos. — Pode haver uma alta na especulação imobiliária, ou que por vezes prejudique a moradora local.
Monte de operação, câmera espiã e saída para fugas:
De olho nessa tendência de busca por conforto longe do caos, que já começou a se desenhar poucos anos antes da pandemia, Helem Azevedo, com 20 anos de trabalho em uma grande rede de hotelaria, passou a administrar oito casas de alto padrão em Teresópolis, as Casas Serranas.
Há um ano e meio, grupos de dez a vinte pessoas, entre eles amigos, equipes de empresas ou familiares se hospedam em casas confortáveis, onde fornecem serviços de conciergeria, cozinheiro, camareira, entre outros, além de opções como churrasqueiro e pizzaiolo. Há ainda um padrão de qualidade semelhante ao do hotel: enxoval de qualidade, comodidades e mais.
— Notamos a mudança de comportamento e identificamos a oportunidade. O aluguel por curta temporada é solução para quem busca experiências mais intimistas, com menos regras do que um hotel. As gerações mais novas estão focadas em bem-estar, boa alimentação. Numa casa, uma pessoa vai poder comprar os alimentos que costuma consumir — diz Helem, que acrescenta. — Há também pessoas de qualquer idade que querem desfrutar de tempo de qualidade.
Foi flagrada por:
Compõe uma safra de novidades de Teresópolis o boom de propriedades que têm portas abertas para receber os turistas. Depois das altas de montanhismo e enoturismo, a cidade tem sido frequentada por curiosos sobre o plantio de vegetais, a amostragem de alimentos da terra ou a lida na roça. Nina Beneditino, secretária municipal, explica que fazendas de folhosos, de frutas ou de criação de animais têm buscado ampliar ofertas:
— Há alguns anos, eram seis propriedades que recebiam esse público. Hoje, são 23. Há ainda uma fila de espera de dez outras aguardando visita técnica para que possam se organizar para receber o visitante — diz Nina, que frisa que alguns selos são distribuídos pelo programa Vivências do Rio Rural, do governo do estado.
Outra experiência é conhecer processos de produção. Os Queijos de Cabra Geneve, de Rose Garcia, também em Teresópolis, possibilitam que o público conheça as etapas de fabricação da queijaria à demonstração.
Crime em 2024:
Já em São José do Vale do Rio Preto, que faz divisa com Petrópolis, a principal novidade encanta aqueles amantes de café quentinho pela manhã e vinho à noite: a Fazenda São Francisco se tornou pioneira ao unir, no Rio, a produção cafeeira de quatro décadas e a vitivinicultura. Na Vinícola Tassinari, a originalidade do projeto dá um sabor especial:
— Apesar de estarmos trabalhando há 45 anos com o café, a propriedade abriu há dois anos. A visitação às áreas de café acontece junto com a experiência do enoturismo — explica Laura Tassinari, a proprietária.
Em Areal, algumas propriedades em áreas montanhosas recebem casamentos e mais eventos. Ou as mesmas famílias fugindo do caos da capital. A Casa Guará, do município do Centro-Sul fluminense, foi criada por uma família da capital em êxodo urbano: por seis meses de pandemia, viveram no interior e pensaram em investir na chance de mais pessoas desfrutarem da experiência. Roberta Rachid, turismóloga e proprietária, desde 2023 recebe conterrâneos, além de hóspedes da Região dos Lagos, de Minas Gerais. Já de volta ao Rio, ela mantém as idas ao interior para gerenciar o negócio.
— A maior parte busca qualidade de tempo. Em geral, são pessoas que vivem em apartamentos e encontram aqui um refúgio para relaxar, respirar puro e recarregar as energias — diz o proprietário.
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