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Príncipe é trancado para fora de palácio em Petrópolis em briga da Família Real que foi parar na Justiça; entenda

Dom Pedro Tiago de Orléans e Bragança alega morar desde que nasceu no imóvel

Agência O Globo - 20/06/2026
Príncipe é trancado para fora de palácio em Petrópolis em briga da Família Real que foi parar na Justiça; entenda
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um caso de família ganhou os holofotes nos últimos dias. A origem da confusão é um parente que alega ter sido impedido de entrar num imóvel familiar. Mas essa não é uma família desconhecida: tratam-se dos herdeiros da Família Real do Brasil. Quem relata ter sido retirado do Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, é o príncipe Dom Pedro Tiago de Orléans e Bragança, que precisou acionar a Justiça para voltar a acessar o endereço. Ré no caso é a Companhia Imobiliária de Petrópolis, que tem três Orleáns e Bragança — o pai e os tios de Pedro Tiago — no quadro societário.

Flagrante:

Produtos anunciados em plataformas de venda:

Tudo ocorreu no último dia 9. Dom Pedro Tiago, de 47 anos, saiu do imóvel para fazer exercícios e, ao regressar ao palácio, seguranças que alegavam estar ao serviço da Companhia contínua o impedido de entrar no endereço. O príncipe teria conseguido superar a construção e entrar, mas teria ficado encastelado, ocasião que temeu pela sua segurança. Segundo consta no processo, a Polícia Militar foi acionada pela segurança.

Bombas de gás lacrimogênio ainda lançadas contra ele e marcas no chão são apontadas como prova dessa ocorrência. A confusão teria terminado na delegacia. No dia seguinte, acompanhado pelos seus advogados, o príncipe decidiu devolver o imóvel, mas não conseguiu entrar: as chaves foram trocadas.

Segundo a PM, agentes do 26º BPM (Petrópolis) foram acionados para atender uma ocorrência de invasão de residência no endereço no último dia 9. Em nota, a corporação informou que, no local, o acusado resistiu à determinação da equipe de liberação do local. Em conformidade com os protocolos, foram utilizados instrumentos de menor potencial ofensivo para viabilizar a contenção do acusado”, informa a corporação, que ocorreu a ocorrência à 105ªDP (Petrópolis).

terrenos interceptados:

Fabrizio Bon Vechio e Francisco Rudnick Martins de Barros, advogados que representam Dom Pedro Tiago, então, acionaram a Justiça. No último dia 12, o juiz Adriano Loureiro Binato de Castro, da 2ª Vara Cível da Comarca de Petrópolis concedeu liminar e determinou a expedição do mandato de reintegração de posse, determinando que a ré Companhia Imobiliária de Petrópolis desocupasse o palácio.

Bisneto da Princesa Isabel

Fã do tetravô Dom Pedro II, bisneto da Princesa Isabel e pentaneto de Dom Pedro I, Dom Pedro Tiago retornou ao imóvel, mas deu falta de alguns pertences. Agora, seus advogados analisam que medidas legais cabíveis podem levar para que os bens — que incluem roupas, tablet, bicicletas, um carro e um quadro — sejam devolvidos.

Por trás da briga estaria a possível venda do Palácio do Grão-Pará, tombado pelo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1930. O imóvel, que não tem nome da Companhia Imobiliária de Petrópolis, estaria avaliado na casa de R$ 70 milhões.

Márcia Nepomuceno:

— O príncipe Dom Pedro Tiago de Orleáns e Bragança é o legitimamente ocupante desse palácio há décadas. De forma legal, jurídica, dentro do que o Estado Democrático de Direito prevê, vai lutar pelos seus direitos até o final, de modo a preservar o palácio na família e perpetuar essa memória — observa o advogado Fabrizio Bon Vechio.

De acordo com nota divulgada pela Casa Imperial do Brasil nesta quinta-feira, Pedro Tiago foi “privado do acesso aos seus pertences pessoais, documentos e instrumentos de trabalho” após ser removido do imóvel, onde alega morar desde que nasceu. Seus pais permaneceram casados ​​no próprio palácio, onde o príncipe também foi batizado.

— Carrego o legado histórico de uma família como um fardo pesado, tecido por batalhas e lutas através do tempo; uma história contada, às vezes certa, às vezes errada. Mas é na força que brota do coração que encontra o caminho para honrar o passado, ressignificar suas marcas e escrever, com verdade, os próximos capítulos — afirma o príncipe, que foi atleta de downhill bike, uma modalidade radical.

Palácio tombado pelo Iphan, com ação de usucapião

Construído entre 1859 e 1861, o palácio foi concebido em estilo neoclássico e serviu, inicialmente, como alojamento dos camaristas (funcionários de alta confiança da Corte, que zelavam pelos aposentos e rotina da Família Real). Depois da Proclamação da República, já abrigou o Tribunal de Justiça e serviu também de sede do Colégio Luso-Brasileiro, além de ser oferecido na Embaixada de Portugal.

Monte de operação, câmera espiã e saída para fugas:

Após a revogação do banimento da Família Imperial em 1925, o Palácio do Grão-Pará passou a ser moradia do Príncipe do Grão Pará, Dom Pedro de Alcântara, primogênito da Princesa Isabel e avô de Pedro Tiago. Atualmente, há ainda uma ação de usucapião distribuída no início de maio: o príncipe Dom Pedro Tiago é o autor, enquanto a Companhia é ré no caso. Há cerca de 30 membros na família atualmente.

Até a última atualização desta reportagem, O GLOBO não conseguiu contato com a Companhia Imobiliária de Petrópolis. Segundo consulta ao quadro societário na Receita Federal, a empresa — com CNPJ aberto em 1966 e que tem como atividade econômica principal o aluguel de imóveis próprios — tem como presidente Afonso Bourbon de Orleáns e Bragança (tio de Pedtro Tiago); os diretores Francisco de Orleáns e Bragança (tio de Pedro Tiago) e Pedro Carlos de Bourbon de Orleáns e Bragança, pai do príncipe; além da administradora Guilene Christiane Ladvocat Cintra.