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Val Ceasa: ex-assessor foi indiciado em caso de homicídio encomendado por chefe do TCP
MPRJ identificou outros integrantes do gabinete com antecedentes criminais ou parentes com anotações policiais
O deputado estadual Val Ceasa (PRD) foi um dos alvos de uma operação deflagrada nesta quinta-feira para apurar a suposta ligação de agentes públicos com o Terceiro Comando Puro (TCP) . Durante a investigação, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) mapeou vínculos entre ex-assessores e funcionários lotados no gabinete do parlamentar com membros da facção criminosa.
O nome principal identificado foi o de Michael Johnny Vianna de Azevedo , indiciado em uma investigação da Polícia Civil sobre um homicídio que teria sido encomendado por Bruno da Silva Loureiro , conhecido como Coronel , apontado como um dos chefes do TCP. Azevedo também foi alvo da operação e acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
Azevedo trabalhou como assessor parlamentar de Val Ceasa entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025. Antes de atuar no gabinete, ele já havia sido relatado em registros de ocorrência da Polícia Civil por suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Posteriormente, foi indicado em uma investigação sobre um homicídio ocorrido em junho de 2022.
De acordo com a Polícia Civil, Vitor Lima da Cunha foi assassinado após migrar do TCP para o Comando Vermelho. A morte teria sido decretada por Coronel, em Honório Gurgel, na Zona Norte do Rio.
Para executar o crime, segundo as investigações, o traficante teria determinado que uma mulher atraísse a vítima para fora do Complexo da Penha e a levasse até o Recreio dos Bandeirantes, onde o homicídio seria cometido. A mulher receberia R$ 10 mil pelo serviço, conforme apurado pela polícia.
As investigações apontam que o pagamento teria sido feito por Michael Johnny Vianna de Azevedo, por meio de transferência bancária. Ele foi indiciado por crimes de sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O caso segue em investigação.
Exonerado
Após deixar o gabinete, Azevedo foi nomeado na Companhia Municipal de Energia e Iluminação do Rio (Rioluz) , em fevereiro, com salário líquido de R$ 3,4 mil. Após a prisão, o município informou que, na ocasião da nomeação, “nada que vetasse a sua nomeação foi encontrada pela Secretaria de Integridade”. A prefeitura anunciou que ele seria exonerado.
A dispensa da função de confiança de subgerente de operação e fiscalização noturna na Zona Norte foi publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira.
Outros assessoress
Azevedo não foi o único funcionário lotado no gabinete de Val Ceasa em relação a qualquer vínculo do MPRJ com possíveis vínculos com o TCP. De acordo com o órgão, entre os assessores do deputado também estava Josimar Carvalho Gabry , irmão de um membro da facção que está preso.
Waldir Pereira Gabry Filho é custodiado na Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho, unidade designada a membros do TCP. Ele foi denunciado por integrar organização criminosa e por lavagem de dinheiro em benefício da facção.
Além deles, outros cinco membros do gabinete foram identificados pelo MPRJ como pessoas com antecedentes criminais ou com parentes que possuem anotações criminais.
Operação por conexão com o TCP
Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins são apontados como suspeitos de atuar para impedir a demolição de um resort de luxo atribuído ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa , o Peixão , um dos chefes da facção, na Parada de Lucas, no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
Na casa do deputado Val Ceasa, foram apreendidos aproximadamente R$ 320 mil em dinheiro vivo , segundo a Polícia Civil. Os agentes também instalaram os celulares dos três alvos da operação: Val, Ulisses e Michael.
Uma investigação foi aberta pela Procuradoria-Geral de Justiça após surgirem acusados de que parlamentares foram procurados pela Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados ao TCP na Parada de Lucas.
No pedido de busca e apreensão contra os alvos da operação, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira , afirmou que, assim como o caso do então deputado TH Joias revelou uma infiltração do Comando Vermelho na Alerj, uma investigação sobre Val Ceasa e Ulisses Marins estaria “desvendando” que o Terceiro Comando Puro também “se entranhou nas vísceras da Casa Legislativa”.
Em nota, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) informou que “acompanha a operação” realizada pelo MPRJ e reiterou que “atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense”. A Casa Legislativa também reforçou seu compromisso com a transparência e afirmou estar à disposição para colaborar com o andamento das investigações.
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