RJ em Foco
Cúpula da milícia do Catiri é alvo de operação contra extorsão e lavagem de R$ 25 milhões
Investigação começou após denúncia de cobranças ilegais contra empresa terceirizada responsável por obras públicas de infraestrutura e saneamento
A Polícia Civil deflagrou, nesta sexta-feira, uma operação contra a cúpula da milícia que atua na região do Catiri, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O grupo paramilitar é apontado como responsável por um esquema de extorsão contra obras públicas, comerciantes e moradores, além de uma rede de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 25 milhões.
Ao todo, os agentes cumprem 50 mandados de busca e apreensão na capital, na Baixada Fluminense e no interior do estado. As medidas cautelares também incluem pedido de bloqueio judicial de ativos, contas bancárias, bens e valores vinculados aos investigados, com o objetivo de asfixiar financeiramente a organização criminosa.
Segundo o Bom Dia Rio, da TV Globo, um policial militar da ativa foi preso em flagrante durante a operação.
As investigações são conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) e tiveram início após uma denúncia de extorsões praticadas contra uma empresa terceirizada responsável pela execução de obras públicas de infraestrutura e saneamento na região.
De acordo com as apurações, os criminosos passaram a exigir pagamentos ilegais para permitir a continuidade dos serviços e a permanência dos trabalhadores no local. As cobranças eram impostas mediante ameaças e intimidações, conforme informou a polícia.
Durante as diligências, os agentes da Draco seguiram o caminho do dinheiro e identificaram contas bancárias usadas pelos milicianos para receber os valores obtidos com as extorsões. A análise financeira revelou uma engrenagem de lavagem de capitais, com movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
Os policiais também descobriram o uso de contas de passagem, abertas em nome de terceiros — entre eles laranjas e empresas de fachada — com a finalidade de receber e repassar recursos rapidamente, dificultando o rastreamento da origem do dinheiro.
A investigação permitiu identificar a estrutura da organização criminosa. Segundo a polícia, o grupo possuía um núcleo de comando, responsável pelo controle territorial e pelas decisões estratégicas, e um núcleo financeiro, encarregado de receber, movimentar, pulverizar e ocultar os recursos obtidos com atividades ilícitas.
Empresas formalmente constituídas e contas bancárias de terceiros eram utilizadas para dar aparência de legalidade aos valores movimentados e dificultar a atuação dos órgãos de investigação.
Conforme as apurações, o policial militar investigado atuaria tanto na circulação de valores ligados ao grupo quanto em atividades de segurança privada em benefício de integrantes da cúpula da milícia. A suposta participação do agente será aprofundada no decorrer do inquérito.
Ainda segundo a Draco/IE, a organização criminosa não se limitava às extorsões contra prestadores de serviço e empresas. Os policiais identificaram cobranças impostas a comerciantes, moradores e pessoas que desenvolviam atividades em áreas sob influência do grupo.
Após a operação desta sexta-feira, as diligências continuarão para identificar outros integrantes da rede criminosa e ampliar o rastreamento patrimonial dos recursos ilícitos.
Além da Draco/IE, a ação mobilizou equipes do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB) e da Corregedoria da Polícia Militar.
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