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Cão Hulk, que encontrou 48 toneladas de maconha na Maré, recebe Medalha Tiradentes

Cão farejador e policiais que participaram da operação recorde foram homenageados nesta quinta-feira, no Rio

Agência O Globo - 18/06/2026
Cão Hulk, que encontrou 48 toneladas de maconha na Maré, recebe Medalha Tiradentes
Cão Hulk, que encontrou 48 toneladas de maconha na Maré, recebe Medalha Tiradentes - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O cão farejador Hulk , do Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), recebeu nesta quinta-feira a Medalha Tiradentes . É a primeira vez que um animal recebe a principal condecoração do estado.

A homenagem foi realizada durante solenidade no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio e entregue pelo deputado estadual Rodrigo Amorim (PL). O 3º sargento da PMERJ Wildemar de Oliveira Souza, condutor e formador de Hulk, também foi homenageado com a Medalha São Francisco de Assis, entregue pelo vereador Rogério Amorim (PL).

Hulk ganhou notoriedade nacional após atuar na operação realizada no Complexo da Maré que resultou na apreensão de aproximadamente 48 toneladas de maconha , a maior já registrada no país. Para homenagem, a Alerj precisou adaptar o formato de uma das medalhas, produzida em forma de osso e colocada em uma coleira especialmente preparada para o cão.

Relembre o feito de Hulk

Hulk, um pastor-belga malinois de 4 anos, é um dos principais cães farejadores do Batalhão de Ações com Cães da Polícia Militar do Rio. Ele foi responsável por localizar o esconderijo do registro de carga durante uma operação realizada em abril deste ano na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio.

A droga, avaliada pela PM em cerca de R$ 50 milhões, teria origem em países da América do Sul que fazem fronteira com o Brasil e percorreu aproximadamente 1,7 mil quilômetros até chegar ao local onde foi encontrada.

A ação reuniu mais de 250 policiais militares, incluindo equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom), do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) e do 22º BPM (Maré). Apesar da grande eficácia, foi Hulk quem indicou o ponto exato onde a carga estava escondida.

A maconha estava dentro de uma espécie de cisterna concretada no alto de uma construção abandonada na comunidade. Ao passar pelo local, o cão começou a ficar agitado, o que despertou a atenção dos agentes. O ponto, inicialmente, não havia suspeitas levantadas. Após o sinal dado por Hulk, foi necessário abrir uma parede para chegar ao material.

— Os agentes estavam verificando, mas estava tudo vedado, concretizado. O Hulk ficou agitado, mudou o comportamento. Os agentes desconfiaram e começaram a quebrar o concreto — conto, à época, ao GLOBO, o comandante do BAC, tenente-coronel Luciano Pedro.

Doado ainda filhote à corporação, Hulk começou a ser treinado aos seis meses de idade. Desde então, passou a cumprir uma rotina marcada por disciplina, estímulos constantes e forte vínculo com o sargento Wildemar de Oliveira, responsável por conduzi-lo nas operações.

Saiba mais

Conhecido no batalhão pelo comportamento agitado e pela resposta rápida aos comandos, Hulk acumula mais de 200 atuações na localização de drogas e armamentos. O desempenho é resultado de treinamento contínuo, baseado na repetição e na associação entre o faro e recompensas simples, como seu brinquedo favorito: uma bolinha de tênis.

— Ele está há quatro anos com a gente, é muito agitado. Já participou de várias apreensões, mas esta, sem dúvida, é a mais importante até agora — afirmou o sargento, na ocasião.

No Batalhão de Ações com Cães, onde cerca de 80 animais integram o efetivo, Hulk se destaca pela precisão ao indicar pontos suspeitos, mesmo quando não há sinais aparentes para os agentes. O faro dos cães pode ser até mil vezes mais sensível que o humano, o que permite identificar substâncias escondidas em compartimentos fechados, estruturas concretadas ou áreas de difícil acesso.