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Líder do CV já sugeriu cooptar Val Ceasa para facção rival do TCP

Deputado estadual, alvo de operação do MPRJ nesta quinta-feira, apareceu em mensagens interceptadas entre integrantes da cúpula do Comando Vermelho

Agência O Globo - 18/06/2026
Líder do CV já sugeriu cooptar Val Ceasa para facção rival do TCP
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Alvo de uma operação nesta quinta-feira por suspeita de atuação em favor de interesses do Terceiro Comando Puro (TCP), o deputado estadual Val Ceasa já havia sido citado em uma investigação da Polícia Federal que revelou o interesse do Comando Vermelho (CV) em se aproximar de agentes políticos com trânsito no poder público.

Mensagens interceptadas pela PF mostram que o traficante Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, enviou ao chefe do CV no Complexo da Penha, Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma foto de Val Ceasa durante uma reunião no Palácio Guanabara, em janeiro de 2025. Ao encaminhar a imagem, Gardenal escreveu: “Te falei, Val é o contato dele”, sem esclarecer a quem se referia. Na sequência, Doca respondeu: “É, mano, esse cara tem que vir para nós”.

Esconderijo do traficante Peixão

Políticos investigados têm votação maior em locais próximos a “resort”

Segundo a Polícia Federal, a troca de mensagens demonstra o interesse da facção em aliciar agentes políticos para ampliar sua influência, obter proteção institucional e interferir em decisões públicas. A investigação também aponta que a aproximação com políticos teria como objetivo influenciar ações sociais e evitar intervenções do Estado em áreas dominadas pelo grupo criminoso.

Embora a conversa não esclareça quem seria o “dele” mencionado por Gardenal, uma fonte da PF afirmou que o diálogo remete a uma suposta aliança de Val Ceasa com Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado pelas autoridades como chefe do TCP, facção rival do Comando Vermelho.

A relação entre o parlamentar e o entorno de Peixão já havia sido abordada em outra investigação. A demolição de um resort atribuído ao traficante, na Cidade Alta, foi adiada por cerca de 15 meses após uma suposta articulação política. O caso é investigado pela Procuradoria-Geral de Justiça em procedimento sigiloso.

Entenda a operação

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpre, nesta quinta-feira, 14 mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual Val Ceasa, o ex-vereador Ulisses Marins, atualmente servidor municipal, e o ex-assessor parlamentar Jair de Mendes. Eles são investigados por suspeita de envolvimento com o Terceiro Comando Puro.

Os mandados são cumpridos no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), além de endereços na Ceasa, na capital fluminense e no Espírito Santo.

Operação na Alerj mira deputado Val Ceasa

De acordo com o MPRJ, a investigação começou após surgirem indícios de que os agentes públicos teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados à facção em Parada de Lucas, no Complexo de Israel.

Os investigadores apontam que os suspeitos teriam usado a influência dos cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais, versão que não foi confirmada pelas apurações. A operação acabou sendo adiada.