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Cão Hulk receberá Medalha Tiradentes em formato de osso após apreensão recorde na Maré
Farejador localizou esconderijo com 48 toneladas de maconha; policiais que participaram da operação também serão homenageados nesta quinta-feira
A maior apreensão de drogas da história do país — cerca de 48 toneladas de maconha encontradas no Complexo da Maré — teve como destaque o cão Hulk, do Batalhão de Ações com Cães (BAC), da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O farejador será homenageado, nesta quinta-feira, com a Medalha Tiradentes , a mais alta honraria do Estado do Rio.
Será a primeira vez que um animal receberá uma homenagem. Por isso, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) precisou fazer uma adaptação iniciada: uma das medalhas foi confeccionada em formato de osso e colocada em uma coleira especialmente preparada para o cão.
A cerimônia será realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O evento também contará com a entrega de Moções de Aplausos, de autoria do vereador Rogério Amorim (PL), aos policiais que participaram da operação realizada na Maré e ao BAC. Na ocasião, o 3º sargento da PMERJ e condutor de Hulk, Waldemar de Oliveira Souza, também recebeu a Medalha São Francisco de Assis.
Relembre o feito de Hulk
Hulk, um pastor-belga malinois de 4 anos, é um dos principais cães farejadores do Batalhão de Ações com Cães da Polícia Militar do Rio. Ele foi responsável por localizar o esconderijo de uma carga recorde de 48 toneladas de maconha durante uma operação realizada em abril deste ano na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio.
A carga, avaliada pela PM em cerca de R$ 50 milhões, foi oriunda de países da América do Sul que fazem fronteira com o Brasil. Segundo a corporação, o entorpecente percorreu aproximadamente 1,7 mil milhas até chegar ao local onde foi farejado pelo pastor-belga malinois.
A ação reuniu mais de 250 policiais militares, incluindo agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom), do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) e do 22º BPM (Maré). Apesar do amplo efeito, foi Hulk quem encontrou uma carga.
A maconha estava escondida dentro de uma espécie de cisterna concretada no alto de uma construção abandonada na comunidade. Ao passar pelo local, o cão ficou agitado, o que chamou a atenção dos agentes. O ponto, inicialmente, não havia despertado suspeitas. Após o sinal dado pelo Hulk, foi necessário abrir uma parede para acessar o material.
— Os agentes estavam verificando, mas estava tudo vedado, concretizado. O Hulk ficou agitado, mudou o comportamento. Os agentes desconfiaram e começaram a quebrar o concreto — conto, à época, ao GLOBO, o comandante do BAC, tenente-coronel Luciano Pedro.
Doado ainda filhote à corporação, Hulk começou a ser treinado aos seis meses de idade. Desde então, foi estabelecida uma rotina marcada por disciplina, estímulos constantes e uma ligação direta com o sargento Waldemar de Oliveira Souza, responsável por conduzi-lo nas operações.
Conhecido no batalhão pelo comportamento agitado e pela resposta rápida aos comandos, Hulk acumula mais de 200 atuações na localização de drogas e armamentos. O desempenho é resultado de treinamento contínuo, baseado na repetição e na associação entre o faro e recompensas simples, como seu brinquedo favorito: uma bolinha de tênis.
— Ele está há quatro anos com a gente, é muito agitado. Já participou de várias apreensões, mas esta, sem dúvida, é a mais importante até agora — afirmou o sargento, na ocasião.
No Batalhão de Ações com Cães, onde cerca de 80 animais integram o efetivo, Hulk se destaca pela precisão ao indicar pontos suspeitos, mesmo quando não há sinais aparentes para os agentes. O faro dos cães é considerado até mil vezes mais sensível que o humano, o que permite identificar substâncias escondidas em compartimentos fechados, estruturas concretadas ou áreas de difícil acesso.
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