RJ em Foco
‘Meu pai não queria um velório triste, mas é difícil’, diz filha de piloto morto em colisão no Recreio
Bárbara Marsillac, que mora no Canadá, pediu respeito às famílias das vítimas e defendeu que as causas do acidente sejam apuradas antes de qualquer julgamento.
Bárbara Marsillac anda de óculos escuros durante o velório do pai, o piloto Charles Marsillac. Em alguns momentos, sorria ao lembrar dele ou ao ouvir histórias contadas por pessoas que o conheceram. Mas, ao falar com a imprensa, a voz embargou. Emocionada, ela, que mora no Canadá, contou como recebeu a notícia da morte do pai, um dos pilotos dos helicópteros que colidiram no último domingo, no Recreio. No acidente, seis pessoas morreram.
Choque no ar
Na Zona Sudoeste
— Recebi a notícia pela companheira do meu pai, a Andrea. Eu estava na minha casa, no Canadá, e vim no primeiro voo que consegui. Desde então, tem sido muito difícil — contorno, respirando fundo e fechando os olhos por alguns segundos. — Meu pai não queria um veludo triste, mas é difícil.
Bárbara esteve no Brasil pela última vez em março, quando comemorou o aniversário ao lado do pai e de outras pessoas queridas.
Em meio à dor da perda, a filha do piloto usou as redes sociais para pedir a interrupção dos ataques dirigidos ao pai. Internautas foram ao perfil de Charles Marsillac para levantar “teorias” sobre o acidente. Diante da sequência de comentários maldosos, Bárbara publicou um desabafo em vídeo, pediu respeito e defendeu que todos aguardem o resultado das investigações antes de atribuir culpa a alguém.
— As pessoas da internet são cruéis. Quando comecei a ver os comentários, senti muita raiva e vontade de responder a todo o mundo. Mas sei que meu pai não gostaria que eu fizesse isso. Então, faça o vídeo e peça respeito à minha família e às famílias de todos os envolvidos. Nós temos que aguardar as investigações — afirmou durante o velório.
O cantor e compositor Toni Garrido foi uma das bolsas de pessoas que lotaram a capela B Premium do Crematório do Caju. Ele chegou de óculos escuros e visivelmente abalado. Abraçou os filhos, familiares e outros amigos de Charles. Garrido lembrou com carinho do amigo, que conhecia desde os 12 anos de idade.
— Charles é um irmão de vida. Morávamos perto e nossas famílias se conheceram. Ele era uma pessoa maravilhosa, que espalhava amor, respeito e amizade por onde passava.
Toni destacou que a profissão do amigo envolve ciência e responsabilidade, e afirmou que Charles era um profissional comprometido e esforçado.
— Infelizmente, aconteceu as questões. Precisamos esperar as investigações e lamentar pelas famílias dos envolvidos — disse.
Assim como Bárbara, Toni também pediu empatia e respeito pelas famílias de Charles e de todos os mortos nas questões.
Cantor americano, DJ carioca e dois argentinos em ascensão
Os três filhos do piloto chegaram ao velório em uma van cinza, acompanhados de outros pais e amigos. Charlico chegou amparado pela companheira, Larissa, visivelmente muito abalado e sem forças para caminhar sozinho. As irmãs Juliana e Bárbara vieram logo atrás dele, de braços dados. As duas usavam óculos escuros. Nenhum dos três falou com a imprensa.
Do lado de fora da capela, um banner com a foto de Charles era parecido. No interior, uma televisão mostrou videoclipes produzidos pelo piloto, que também era cantor.
Charles Marsillac
Quando aconteceu o acidente, Charles Marsillac pilotou um helicóptero Eurocopter AS350 B2, popularmente conhecido como Esquilo. Segundo a polícia, ele vinha do Aeroporto Santos Dumont e tinha como destino Guaratiba. A outra aeronave era um helicóptero Bell 206B Jet Ranger, pilotado por Alexandre Souza, que partiu do Aeroporto de Jacarepaguá com destino a Angra dos Reis, na Costa Verde.
Além dos pilotos, estavam a bordo outras quatro pessoas. Todos morreram no acidente. Entre as vítimas estavam o cantor norte-americano Oliver Tree, o produtor musical Lucas Frota, o influenciador digital argentino Gaspar Prim Díaz e o produtor argentino Lucas Vignale.
'Não fui no último segundo'
Após a queda das aeronaves, uma corrida no pátio de um vendedor, houve uma explosão e cerca de 20 veículos elétricos foram incendiados.
Marsillac também foi músico e se apresentou nas redes sociais como piloto de helicóptero e compositor. Segundo informações divulgadas em sua página no YouTube, Charles Marsillac nasceu no Rio de Janeiro, em 1965, e iniciou sua trajetória musical nos anos 1980, quando integrou a banda Esqueleto.
Acidente aéreo
Na mesma época, também foi apresentado em bares ao lado de Toni Garrido, então vocalista da banda Bel. Anos depois, a parceria renderia uma composição nacionalmente. Em 1994, Charles e Toni Garrido se juntaram na música “Minha Irmã”, lançada no álbum “Sobre Todas as Forças”, da banda Cidade Negra.
O acidente é investigado pela 42ª DP, no Recreio dos Bandeirantes, e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira.
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