RJ em Foco
Menino que comeu bolo suspeito de envenenamento morreu por broncopneumonia, aponta necropsia
Exames toxicológicos detectaram lidocaína, midazolam e terbufós-sulfóxido no organismo de Arthur de Mello da Silva, de 11 anos
A necropsia realizada no corpo de Arthur de Mello da Silva , de 11 anos, apontou que a causa da morte foi broncopneumonia , decorrente da evolução do estado mórbido apresentado pela criança após passar mal ao extrair um pedaço de bolo que a família suspeita ter sido envenenado.
O menino morreu na última quinta-feira, depois de permanecer internado por 11 dias no Hospital Estadual Ricardo Cruz (HerCruz), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ao todo, nove pessoas já prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), entre familiares, profissionais de saúde, assistentes sociais e um policial militar.
Antes da divulgação do resultado da necropsia, exames feitos pelo Laboratório de Toxicologia Forense do Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto (IMLAP) detectaram no organismo da criança a presença de lidocaína , anestésico local; midazolam , medicamento de efeito sedativo; e terbufós-sulfóxido , substância associada a compostos popularmente conhecidos como chumbinho.
Na última sexta-feira, a delegacia responsável pelo caso reuniu quatro pessoas próximas ao menino: o pai, a madrasta, a mãe e o padrasto. Os depoimentos fazem parte do trabalho de investigação dos últimos dias da vida de Arthur e buscam esclarecer como a substância chega ao organismo da criança.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, Arthur estava internado desde o dia 1º. Em nota, a pasta lamentou a morte e informou que se solidariza com os familiares.
De acordo com o relato apresentado pelo advogado Luiz Almeida, que representa o pai da criança, Ademir Mello, Arthur morava com o pai e a madrasta desde março deste ano. Antes disso, o menino havia passado um período na casa do pai entre novembro de 2025 e fevereiro deste ano, durante as férias escolares, retornando depois para a residência da mãe.
Ainda conforme a versão apresentada pela defesa do pai, a própria mãe teria procurado Ademir para pedir que o filho voltasse a morar com ele, sob a justificativa de que o convívio na casa dela não estaria funcionando bem. Desde então, Arthur reside na residência do pai, mantendo visitas à mãe nos fins de semana.
No último fim de semana em que esteve com a mãe, o plano inicial era que Arthur retornasse para a casa do pai no domingo. Como teria uma reunião escolar na segunda-feira, porém, a mãe o levou diretamente para a escola. Após as aulas, o menino movimento de ônibus para a casa do pai.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela investigação mostram o garoto chegando ao imóvel por volta das 18h20. Na residência estava o pai, a madrasta, o meio-irmão, de 4 anos, e, pouco depois, chegaria a enteada da madrasta, de 9 anos.
Segundo o advogado, ao chegar em casa, Arthur teria contado ao pai que o padrasto havia dito que deixaria sua mãe caso ele voltasse a morar com ela. Ademir teria orientado o filho a não se preocupar com a situação.
Pouco depois, enquanto o pai saía para buscar a enteada no reforço escolar, a madrasta teria mexido na mochila do menino e encontrou um pedaço de bolo de chocolate. Conforme a defesa, o alimento chamou atenção por estar guardado sem recipiente, entre roupas dobradas. A madrasta teria telefonado para o marido para avisar sobre o bolo.
Ainda de acordo com o relato do advogado, Arthur veio o pedaço de bolo e teria dito ao pai que a mãe havia guardado o alimento para ele, porque ele passou mal no sábado e no domingo e, por isso, não teria conseguido comer durante uma festa. Segundo a defesa, o pai de Arthur nem chegou a ver o bolo.
Mais tarde, a família jantou macarrão com carne moída, refeição também consumida pelos demais moradores da casa.
Por volta das 23h, o menino começou a apresentar os primeiros sintomas. Conforme a versão do pai, Arthur passou a vomitar, teve episódios de diarreia e começou a demonstrar confusão mental, falando frases sem sentido. Ele foi levado para atendimento médico e, depois, transferido para uma unidade de maior complexidade, onde ocorreram internados até a morte.
A suspeita sobre o bolo surgiu depois que o pai entrou em contato com a mãe do menino para tentar descobrir a origem do alimento. Segundo o advogado, Lidiane teria informado que, na reunião familiar do fim da semana, não havia sido servido bolo de chocolate, mas outros tipos de sobremesa.
O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.
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