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Grutas do Spar: local onde enfermeira morreu não tem sinalização e apresenta riscos
Instrutores e guias alertam para risco de desmoronamento e aprisionamento subterrâneo em área privada de Maricá
O local conhecido como Grutas do Spar, em Maricá, atrai coleções de visitantes interessados em natureza e atividades radicais. Apesar da beleza da área, localizada no trecho da Mata Atlântica, guias e instrutores alertam para a necessidade de cautela. Segundo relatos, as grutas ficam em uma propriedade privada, não contam com sinalização adequada e apresentam riscos de desmoronamento e aprisionamento em alguns pontos.
No último domingo, a enfermeira Rosemary de Silva Garcia, de 59 anos , morreu enquanto visitava o local. Ela aguardava uma vez para realizar uma descida de rapel quando ocorreu o acidente.
Para chegar às Grutas do Spar, é necessário percorrer uma trilha. O acesso costuma ser oferecido por guias, com valor tabelado de R$ 120 para turistas e R$ 60 para moradores de Maricá. O trajeto começa pela Rodovia Amaral Peixoto, no sentido Niterói, até a Capela São João Batista, no bairro Spar. Numa rua próxima à igreja, os visitantes viram à esquerda e iniciaram uma caminhada.
Ao chegar à área das cavernas, os visitantes encontram formações cercadas por árvores da Mata Atlântica. As cavidades foram formadas por antigas escavações, e uma delas abriga um lago natural abastecido por águas da chuva. A visita, no entanto, exige atenção redobrada.
Riscos de desmoronamento e aprisionamento
Segundo o guia turístico Paulo Pereira da Silva, de 43 anos, que conduz grupos de até dez pessoas ao local, uma trilha que dura cerca de 40 minutos e se torna mais perigosa conforme avança pela mata. Durante o percurso, os visitantes precisam ter cuidado com pedregulhos, trechos fechados e trechos escorregadios, especialmente após dias de chuva. Além disso, não há sinalização ao longo do caminho.
— Não tem sinalização nenhuma, nem na trilha, nem no rapel, em nada. Só uma plaquinha marrom avisando que chegou à gruta — afirmou o guia.
Dentro das cavernas, é necessário usar lanternas, já que o ambiente é escuro e pode abrigar morcegos e aranhas. Também há risco de desmoronamento. De acordo com profissionais que atuam na região, as rochas foram afetadas por escavações antigas de malacacheta e feldspato realizadas há cerca de 50 anos. A mina foi fechada após a desvalorização do feldspato, mas, segundo o instrutor e professor de rapel Matheus Moura, de 28 anos, ainda teria escavações em áreas próximas.
— Nós nunca soubemos quem é o dono, ninguém nunca se apresentou, mas ainda há escavações próximas às grutas e retirada de materiais. Além das placas que aparecem às vezes e logo são retiradas, não sabemos quem as coloca ou tira — disse o instrutor, que afirma já ter guiado cerca de 400 pessoas e realizado treinamentos nas Grutas do Spar.
De acordo com Matheus Moura, um dos principais riscos é o desmoronamento de cavernas antigas, que podem ter sido abaladas por escavações próximas. Outro perigo é o aprisionamento de visitantes dentro da caverna onde fica o lago de águas da chuva, uma das áreas mais procuradas. O local também não possui sinalização ou iluminação.
O instrutor afirma ainda que a área é frequentada por pessoas sem conhecimento técnico e que, em muitos casos, não está acompanhada por guias ou profissionais especializados.
Com a falta de sinalização também no ponto usado para o rapel, a orientação aos visitantes costuma ser feita pelos próprios instrutores. Alguns profissionais instalam uma corda extra para delimitar uma área de segurança antes da borda da descida.
No caso da queda de Rosemary de Silva Garcia, ainda não há confirmação sobre se a equipe responsável pela atividade delimitou a distância de segurança em relação à beirada ou se a vítima ultrapassou alguma barreira.
A Polícia Civil informou que a 82ª DP (Maricá) investiga a morte. Em nota, a corporação afirmou que a perícia foi realizada no local, testemunhas foram ouvidas e outras diligências estão em andamento para apurar a supervisão da morte de Rosemary.
A Prefeitura de Maricá informou que as Grutas do Spar são privadas e estão inseridas nos limites do Refúgio de Vida Silvestre Municipal de Maricá (Revis). Por se tratar de uma propriedade específica, o município afirmou que não é responsável pela autorização, fiscalização ou interdição de atividades de rapel realizadas no local.
Procurado, o Refúgio de Vida Silvestre Municipal de Maricá (Revis) não respondeu até a última atualização da reportagem.
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