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Rio concentra 71% dos incidentes com helicópteros no país

Estado registrou 142 ocorrências em 2025, contra 11 em São Paulo; especialistas defendem fiscalização mais rigorosa

Agência O Globo - 17/06/2026
Rio concentra 71% dos incidentes com helicópteros no país
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Com o aumento do tráfego de helicópteros no espaço aéreo do Rio de Janeiro, o número de incidentes no estado superou com ampla margem o registrado em São Paulo, que possui a maior frota do país. Em 2025, foram contabilizados 142 incidentes com esse tipo de aeronave no território fluminense, uma média de um caso a cada três dias. Em São Paulo, no mesmo período, foram 11 ocorrências, menos de uma por mês.

Os registros no Rio representam 71% dos incidentes envolvendo helicópteros no Brasil em 2025 . As ocorrências incluem desde falhas ou mau funcionamento de sistemas e componentes até incursões em pista, colisões com aves e quedas. Neste ano, já foram registrados 61 incidentes no Estado do Rio e apenas seis em São Paulo. Os dados são do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer).

Diante do crescimento da frota, especialistas em segurança aérea defendem mais rigor na fiscalização da conduta dos pilotos e mudanças nas regras para tornar o espaço aéreo fluminense mais seguro.

O perito aeronáutico Daniel Calazans afirma que, principalmente em grandes centros, como o Rio de Janeiro, o uso do transponder — equipamento de comunicação e rastreamento que responde automaticamente aos sinais dos radares — deveria ser obrigatório. Atualmente, o equipamento é exigido apenas em rotas aéreas específicas.

O tráfego de helicópteros ocorre em corredores pré-definidos. A responsabilidade de manter a distância de outras aeronaves é dos pilotos, em procedimento feito visualmente. Além disso, todos os profissionais que voam na região devem estar sintonizados na mesma frequência de rádio e informar aos demais o prefixo da rádio, a direção e a altura do posicionamento, assim como qualquer manobra que altere a rota.

Pilotos no comando

Calazans também defende uma fiscalização mais rigorosa sobre a atuação dos pilotos. Segundo o especialista, o maior risco no espaço aéreo não está necessariamente na grande concentração de executivos, mas na imprudência e na negligência de profissionais. Ele ressalta que colisões como a que deixou seis mortos na Zona Sudoeste do Rio, no domingo, são raras. As quase colisões, porém, são frequentes e, em segundo lugar, muitas vezes estão associadas a falhas humanas, especialmente quando os protocolos de comunicação não são seguidos.

— O maior problema são os profissionais que permitem ligar o transponder ou realizar a comunicação adequada. As regras funcionam da forma como foram previstas. A questão é saber se as pessoas estão seguindo essas regras. A conduta só vai ser sanada se houver fiscalização controlada da dívida aos infratores — afirmou.

Segundo o especialista, em espaços aéreos monitorados, os controladores conseguem identificar infrações com mais facilidade. Já nas áreas em que os próprios pilotos são responsáveis ​​por manter a separação segura entre as aeronaves, a fiscalização se torna mais difícil.

— O que acontece, às vezes, é uma denúncia de morador relatando que uma aeronave passou muito próxima de uma residência, ou até de outro piloto que organizou uma manobra perigosa ou a falta de comunicação. Se não houver denúncia, em espaço aéreo não controlado, praticamente não há como fiscalizar. E isso é um problema — disse.

Alguns especialistas também defendem a possibilidade de o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) instalar drivers em áreas de intenso tráfego de helicópteros no Rio, como já ocorre em São Paulo.

— Essa é uma possibilidade em razão da densidade do tráfego de helicópteros no Rio, que aumentou muito nos últimos anos. Cabe ao Decea avaliar se isso é conveniente e necessário, além de verificar se há recursos, pessoais e equipamentos disponíveis para a implantação do sistema — afirmou Raul Marinho, diretor técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Estado do Rio tem 319 helicópteros registrados. Em 2023, eram 247, o que representa um aumento de 29% em três anos. Em São Paulo, uma frota passa de 400 aeronaves. Apesar disso, o maior número de pousos e decolagens vem sendo registrado no Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio: em maio, foram 7.903 operações. Na segunda posição aparece o Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, com 2.642.