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Obra no Aterro do Flamengo para eletroposto da GWM gera protesto de moradores

Área onde funcionava um posto de gasolina, no limite do parque com Botafogo, receberá pontos de recarga para carros elétricos e showroom da marca chinesa

Agência O Globo - 15/06/2026
Obra no Aterro do Flamengo para eletroposto da GWM gera protesto de moradores
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma obra de grande porte no canteiro central do Aterro do Flamengo, no trecho em que o parque faz limite com a Praia de Botafogo, avança em direção à Praça Nicarágua e chama a atenção de quem passa pelo local. A área, totalmente cercada por tapumes verdes, funcionava anteriormente como posto de gasolina e deveria abrigar um eletroposto para recarga de veículos elétricos, além de um showroom da marca chinesa GWM.

A intervenção, no entanto, provocou protestos de moradores da região. Eles afirmam temer impactos ambientais, especialmente pela presença de árvores dentro do espaço cercado, e criticam a ocupação de uma área pública por um empreendimento privado.

— É um absurdo. Estão ocupando o espaço que era do posto e expandindo. É uma área de grande importância cultural e histórica, cujo uso deveria continuar sendo público, e não privado. Na verdade, não deveriam construir nada ali — reclama a moradora Sula Danowski, que defende o uso comum do espaço.

Vizinhos relatam que a obra não para nem nos fins de semana. Segundo um morador, no último domingo houve entrega de operários até as 23h. Na manhã desta segunda-feira, um grande número de trabalhadores atuava no local, com apoio de uma retroescavadeira. Para alguns moradores, o empreendimento privado pode desfigurar um dos cartões-postais do Rio.

— O que sabemos é que é uma empresa chinesa que vai ser instalada aí. É uma vergonha. Sou estrangeiro e, na Europa, nem estaríamos conversando sobre esse tipo de coisa. Ninguém faria isso numa área dessa — criticou o italiano Giovanni Spanedda, de 57 anos, que mora na região há dez anos.

O contador e estudante de arquitetura Célio Luiz Tavares de Carvalho Abel, de 45 anos, também demonstra preocupação com os impactos da obra. Ele vive há cinco anos no 9º andar de um prédio em frente ao local.

— Não é lugar para isso. Vai trazer poluição visual, desconforto e transtorno. Só vai degradar o espaço. Tenho medo também de que possa acontecer com as árvores — afirmou.

Procurada, a Prefeitura informou que a obra é destinada à instalação de um eletroposto com três pontos duplos de recarga de veículos, resultado de uma licitação pública realizada em 2024. A GWM , marca que atua no país com a comercialização de veículos eletrificados, como as linhas Haval e Ora, informou que o local também contará com um showroom para venda de carros eletrificados.

Moradores afirmam que uma área construída será maior do que a ocupada pelo antigo posto de gasolina. A Prefeitura, porém, sustenta que uma estrutura será implantada exatamente no espaço onde já funcionava o empreendimento anterior. Sobre a preocupação com eventual corte de árvores — após a circulação de um vídeo na internet mostrando escavações profundas próximas a uma árvore — o município garantiu que não há previsão de supressão de vegetação.

“A implantação do empreendimento observará integralmente a legislação urbanística, ambiental e patrimonial aplicável, incluindo as exigências dos órgãos responsáveis ​​pela proteção do patrimônio cultural e paisagístico”, informou a Prefeitura, em nota.