RJ em Foco
Colisão entre helicópteros no Rio é considerada rara em rota conhecida
Especialista afirma que caso acende alerta e que investigação deve reconstruir a trajetória das aeronaves no corredor visual; relatório preliminar deve sair em 30 dias
A investigação entre helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, chama a atenção de especialistas por ter ocorrido em um corredor aéreo conhecido, sem grandes obstáculos, onde os pilotos costumam manter contato constante e contar com boa visibilidade. Episódios desse tipo são considerados raros no Brasil.
O último caso envolvido entre helicópteros lembrado por José Luiz Magalhães, especialista em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e advogado da área de direito aeronáutico, ocorreu em Belém, no início dos anos 2000, envolvendo duas aeronaves militares.
Acidentes dessa natureza são necessários porque os presidentes oferecem amplo campo de visão e, durante os voos, a comunicação entre aeronaves próximas costuma ser permanente. Além disso, as aeronaves envolvidas no acidente deste domingo (14), no Recreio, são consideradas extremamente seguras e estavam em situação regular perante a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por isso, o caso impressiona, avalia o especialista.
— O que assusta nesse caso de hoje é que são rotas muito conhecidas e sem obstáculos — afirmou Magalhães, ao comparar a situação com voos de helicópteros na região do Cristo Redentor e da Lagoa. Nessas áreas, segundo ele, as operações são desativadas de forma progressiva extra entre os pilotos, já que as aeronaves sobem e descem ao redor do monumento e dos morros, o que pode criar pontos cegos.
O que esperar das investigações?
Para Magalhães, as seções deste perfil de risco esperado para aquele trecho. Segundo ele, um impacto desse tipo poderia ocorrer, por exemplo, sobre um heliponto, quando uma aeronave decola enquanto outra pousa, situação em que uma falha de coordenação seria mais funcional.
Não foi o caso. As aeronaves, conforme observa o especialista, estavam em voo reto e nivelado, sem sinal de emergência e sem tentativa de pouso.
— Entrar uma aeronave na rota da outra é algo que levanta estado de alerta. A análise será muito voltada à questão da navegação. O Cenipa vai olhar tudo rigorosamente: as questões médicas, se incluíam a credencial de voo em dia, a inspeção de saúde e a verificação dos equipamentos das aeronaves — afirmou.
Colisão no ar
Magalhães acredita que o pesquisador deverá buscar entender como as duas aeronaves passaram a ocupar a mesma área do corredor visual, faixa aérea utilizada por helicópteros para deslocamento. Na comparação feita por ele, é como uma rodovia: para entrar em uma rota, o piloto precisa realizar coordenações prévias e se comunicar por rádio. Dentro do corredor, também existem manobras previstas para evitar o encontro entre aeronaves.
O especialista lembra que há dois heliportos no Recreio, um no início do bairro e outro no Pontal. Considerando que a delegacia informou que o piloto de uma das aeronaves seguia para abastecer e que o outro voltava de Angra dos Reis, é possível que uma delas estivesse guiando um dos heliportos do Recreio, enquanto a outra seguia para abastecimento, provavelmente no Aeroporto de Jacarepaguá.
— Como houve uma investigação no ar, a curva de risco para alcançar uma falha humana é muito relevante. E isso será analisado a partir do plano de voo. Os pretendentes apontam para uma falha humana, mas são fingidos — ressaltou Magalhães. — Não sabemos se o helicóptero travou algum sistema, se o piloto comandou uma curva e algum equipamento danificado não permitiu a manobra. São casos e casos. As investigações vão identificar isso.
O relatório preliminar do Cenipa, com as informações colhidas no local, deve ser divulgado em cerca de 30 dias. Já o relatório final pode levar mais tempo, com prazo variável conforme a complexidade do caso.
Mais lidas
-
1ACIDENTE AÉREO
Vídeo mostra momento em que helicóptero atinge o solo no Recreio dos Bandeirantes
-
2RIO DE JANEIRO
Apagão deixa bairros da Grande Tijuca sem luz e afeta trânsito na Zona Norte do Rio
-
3DOCUMENTAÇÃO
Detran Alagoas é o primeiro do Brasil a ofertar carros automáticos gratuitos para exames práticos
-
4FÓRMULA 1
Kim Kardashian leva o estilo WAG à Fórmula 1: o que significa sigla associada à namorada de Lewis Hamilton
-
5ACIDENTE AÉREO
Pilotos mortos em colisão de helicópteros no Recreio tinham longas carreiras na aviação