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Jurados apontam suas rodas de samba favoritas e explicam o que elas têm de especial

Votação reuniu 50 jurados, entre sambistas, produtores culturais, jornalistas, profissionais do setor e influenciadores

Agência O Globo - 13/06/2026
Jurados apontam suas rodas de samba favoritas e explicam o que elas têm de especial
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A votação do GLOBO que definiu as melhores rodas de samba da cidade refletiu o gosto pessoal dos jurados e, portanto, não pretende ser uma lista definitiva. Em uma ferramenta interativa, leitores e internautas também poderão montar sua própria relação de favoritas.

O time oficial de jurados reuniu 50 bambas, entre sambistas, produtores culturais, jornalistas, profissionais do mundo do samba e influenciadores. A seguir, alguns deles justificam seus votos e explicam por que as rodas escolhidas estão entre suas favoritas.

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Para o cantor e compositor Arlindinho, o Terreiro de Crioulo, que ele incluiu entre suas favoritas, é um símbolo de resistência. Pelo regulamento, ele não pôde votar na própria roda, Arlindinho das Antigas — que ficou entre as dez mais votadas.

— O Terreiro de Crioulo representa a resistência do samba de raiz, do samba antigo. Se o samba é uma religião, podemos dizer que o Terreiro de Crioulo é um culto. Já fizemos algumas coisas juntos e também já participei de eventos deles. A energia e a ancestralidade do samba com certeza estão ali com eles — justifica Arlindinho.

Salvo pelo samba

José Reinaldo Marques, curador da FliSamba, apontou a campeã Terreiro de Crioulo como sua favorita. Ele elogia a escolha do repertório, que, seja nas composições mais antigas ou nas mais recentes, privilegia sempre grandes sambistas do país. Também destaca o ambiente da roda, realizada em um quintal em Realengo, que, segundo ele, transmite sensação de pertencimento.

— A cada apresentação, o grupo toca o que há de melhor no repertório do samba. Tanto as obras mais antigas quanto composições mais recentes, mas sempre do melhor time de sambistas do país. Também acho que o ambiente nos dá a sensação de pertencimento. É um clima que nos remete à memória e à ancestralidade do samba e à sua identidade forjada nas matrizes das culturas africanas, por meio do canto e da dança — explica.

Não tem quem não goste!

Marques também votou no Samba do Trabalhador, que ficou em segundo lugar. Na avaliação dele, o sucesso da roda se deve ao espírito empreendedor e visionário do músico Moacyr Luz, aliado à aura do Clube Renascença, no Andaraí, onde o encontro acontece todas as segundas-feiras. Ele lembra que o local sempre teve tradição no samba e que, nos anos 1970, reuniu um time de bambas em uma roda que contava com Xangô da Mangueira, Preto Rico, Roberto Ribeiro e tantos outros.

— O Samba do Trabalhador tem duas coisas: uma é a capacidade do Moacyr Luz como artista, empreendedor e visionário, que viu o momento de criar essa roda e foi para o lugar certo, o Clube Renascença. O clube foi protagonista da maior roda de samba que existia no país, realizada nos anos 1970, com a participação de Xangô da Mangueira, Preto Rico, Roberto Ribeiro, o pessoal da Portela, da Imperatriz e tantos outros. Então, juntou essa capacidade empreendedora do Moacyr Luz com o ambiente do lugar. Tudo que se faz de bom no Renascença acontece. O lugar tem essa tradição do samba e precisava resgatar esse protagonismo — analisa.

Veja

A roda favorita do escritor Marcelo Moutinho é a do Bip Bip, em Copacabana. Na opinião dele, o minúsculo bar, que recebe músicos e convidados de primeira linha para um dos melhores sambas da cidade, é não apenas um lugar para ouvir boa música, mas também um espaço de encontros.

— O Bip Bip é uma referência incontornável quando se trata de roda de samba. Não só pela história de respeito aos músicos e à música brasileira, mas também pelo sentido de comunidade que criou. É um lugar aonde vamos para ouvir samba, mas também para encontrar, seja o outro, seja nós mesmos — afirma, ao justificar o voto na roda que empatou na nona colocação com a Gloriosa.

O escritor, frequentador assíduo das rodas, também votou no Samba do Trabalhador, segunda colocada, e no Terreiro de Mangueira, que ficou em quarto lugar.

O amor está no mar

— O Samba do Trabalhador é uma experiência quase catártica. Reúne gente de todo canto da cidade, e o canto coral da multidão reitera uma das características das melhores rodas de samba: o sentido de coletividade. Já o Terreiro de Mangueira se destaca pelo repertório que passeia pela história do samba, de clássicos como Candeia e Cartola, passando por Dona Ivone Lara e Roberto Ribeiro, até chegar à turma revolucionária do Cacique de Ramos. E o mais bacana é que não se limita aos grandes sucessos, abrindo espaço para sambas menos conhecidos — justifica.

O ranking do GLOBO está disponível em uma ferramenta interativa, na qual cada leitor pode criar o próprio top 10, selecionando suas rodas de samba favoritas. O resultado ainda pode ser compartilhado nas redes sociais.

Que faixa é esta?

Conheça as cinco mais bem colocadas

Na votação do GLOBO, o primeiro lugar ficou com o Terreiro de Crioulo, roda surgida há 14 anos em um quintal de Realengo, na Zona Oeste, com capacidade para receber até 1.200 pessoas. A roda atrai público de diferentes regiões da cidade e, com o sucesso, passou a se apresentar em outros locais, inclusive fora do Rio. Considerada também a roda carioca mais preta, seus tambores ecoam ancestralidade em chão de terra batida que remete à África.

A segunda roda mais votada, o Samba do Trabalhador, surgiu de maneira despretensiosa há mais de duas décadas no Clube Renascença, no Andaraí. A ideia inicial era promover um encontro descontraído de músicos nas tardes de segunda-feira, tradicionalmente dia de folga para essa categoria profissional. Deu tão certo que, 21 anos depois, virou programa obrigatório para cariocas e turistas.

Melhor roda de samba do Rio

A medalha de bronze coube a uma roda comandada pela dupla Mosquito e Inácio Rios, dois dos sambistas mais respeitados de sua geração: a Encontros Casuais. Há pouco mais de dez anos, os dois amigos resolveram unir seus talentos e, desde então, lotam o Beco do Rato, na Lapa, nas noites de quinta-feira. A roda é marcada por improviso, convidados surpresa e forte interação com o público.

O top 5 é completado pelo Terreiro de Mangueira e pelo Samba da Volta. A primeira roda surgiu há cerca de sete anos em uma laje da Rua Visconde de Niterói, na subida da Mangueira. O crescimento ocorreu no boca a boca e ganhou impulso depois de uma visita da sambista Teresa Cristina. Bastou um comentário elogioso da cantora e compositora nas redes sociais para tornar o espaço um dos mais disputados da cidade.