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Júri de bambas elege as melhores rodas de samba do Rio

Cinquenta sambistas, produtores culturais, jornalistas e influenciadores escolheram suas favoritas; leitores também podem montar o próprio top 10

Agência O Globo - 12/06/2026
Júri de bambas elege as melhores rodas de samba do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Ambiente informal e democrático, no qual músicos e público se reúnem em torno de uma mesa para tocar, cantar e celebrar, a roda de samba é uma das expressões mais marcantes da cultura carioca. Regadas a cerveja gelada, descontração e muita música, essas rodas se consolidaram no Rio de Janeiro a partir dos encontros nas casas das tias baianas, como Tia Ciata, no início do século passado.

Desde então, elas se multiplicaram e ganharam espaço em diferentes regiões da cidade, especialmente nos últimos anos. Para mapear as preferidas, O GLOBO reuniu um júri formado por 50 bambas — entre sambistas, produtores culturais, jornalistas, profissionais ligados ao universo do samba e influenciadores — e pediu que cada um indicasse suas rodas favoritas.

Oficialmente, há 150 rodas de samba registradas na cidade. No entanto, como o último levantamento da prefeitura está defasado em dois anos, há quem estime que esse número já tenha ultrapassado 250. Há opções para todos os gostos: das mais tradicionais às mais modernas, das badaladas às menos conhecidas, das mais distantes às que ficam perto de casa.

Os jurados indicaram três rodas, em ordem de preferência, com peso maior para a primeira colocada. O ranking está disponível em uma ferramenta on-line, na qual cada leitor também pode criar seu próprio top 10, selecionando suas rodas de samba favoritas e compartilhando o resultado nas redes sociais.

Conheça as cinco mais bem colocadas

Na votação, o primeiro lugar ficou com o Terreiro de Crioulo, roda surgida há 14 anos em um quintal de Realengo, na Zona Oeste, com capacidade para receber até 1.200 pessoas. O encontro atrai público de várias regiões da cidade e, com o sucesso, passou a se apresentar em outros espaços, inclusive fora do Rio. Considerada também uma das rodas cariocas mais pretas, reúne tambores, ancestralidade e um chão de terra batida que remete à África.

O cantor e compositor Arlindinho apontou o Terreiro de Crioulo entre suas rodas favoritas. Para o artista, o encontro é um símbolo de resistência. Pelo regulamento, ele não pôde votar na própria roda, a Arlindinho das Antigas, que ficou entre as dez mais votadas.

— O Terreiro de Crioulo representa a resistência do samba de raiz, do samba antigo. Se o samba é uma religião, podemos dizer que eles são o culto. Já fizemos algumas coisas juntos e também já participei de alguns eventos deles. A energia e a ancestralidade do samba com certeza estão ali com eles — disse o sambista.

A segunda roda mais votada nasceu de forma despretensiosa há mais de duas décadas no Clube Renascença, no Andaraí. A ideia inicial era promover um encontro descontraído de músicos nas tardes de segunda-feira, tradicionalmente dia de folga da categoria. Deu tão certo que, 21 anos depois, tornou-se programa obrigatório para cariocas e turistas.

Para Moacyr Luz, que comanda o Samba do Trabalhador, a posição no ranking reflete o trabalho dos músicos para manter o samba vivo, com esperança, harmonia e união.

— Enquanto houver uma roda de samba, a vida vai ter esperança, harmonia e a união das pessoas. O samba é um jornal, cada música é uma notícia e a gente está aí para denunciar ou comemorar. Se estamos entre os primeiros hoje, é porque fazemos parte de um conjunto de rodas boas que existem no Rio e no Brasil, que sempre levam o nome do samba para tudo que é lugar — festeja Moa, como é conhecido.

A medalha de bronze ficou com uma roda comandada por Mosquito e Inácio Rios, dois dos sambistas mais respeitados de sua geração: a Encontro Casuais. Há pouco mais de dez anos, os dois amigos decidiram unir seus talentos e, desde então, lotam o Beco do Rato, na Lapa, nas noites de quinta-feira. A roda é marcada por improviso, convidados surpresa e forte interação com o público.

— Encontro Casuais é uma roda muito sincera, verdadeira e nunca se repete. O repertório é sempre novo, a gente sempre explora o nosso conhecimento e tem boa frequência. É um público que sabe o que está rolando e o que está cantando. O Inácio é um grande cara, que sempre chega com pérolas e coisas novas e da antiga, para deixar a gente municiado de repertório. E o Beco do Rato tem cada vez mais se tornado um polo do samba carioca. Acho que é por isso que o Encontro Casuais junto com o Beco do Rato só tem crescido — define Mosquito.

O Top 5 é completado pelo Terreiro de Mangueira e pelo Samba da Volta. A primeira roda surgiu há cerca de sete anos em uma laje da Rua Visconde de Niterói, na subida da Mangueira. O crescimento veio no boca a boca e ganhou impulso depois de uma visita da sambista Teresa Cristina. Bastou um comentário elogioso da cantora e compositora nas redes sociais para transformar o espaço em um dos mais disputados da cidade.