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Mar fica azul e “fosforescente” em Niterói; entenda o fenômeno
Brilho é causado por micro-organismos marinhos e, segundo especialista, não oferece risco à saúde
Moradores de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, foram surpreendidos por manchas de brilho azul intenso no mar de São Francisco, em frente à Praça do Rádio Amador, no início da manhã desta quinta-feira (12), quando ainda estava escuro. O fenômeno, registrado e compartilhado nas redes sociais, chamou a atenção de atletas que praticavam remo no local.
“Hoje, na madrugada de treino, presenciamos o fenômeno chamado bioluminescência! O mar brilhando que nem no filme da Moana!”, publicou uma das remadoras, em referência à personagem da Disney, filha do chefe de uma ilha na Polinésia. “Insano demais viver isso em um dia comum”, completou.
O efeito é conhecido como bioluminescência marinha. Ele ocorre quando organismos vivos presentes na água emitem luz, dando ao mar a aparência de estar iluminado. Segundo o biólogo marinho Bruno Meurer, o brilho é provocado por um organismo microscópico chamado Noctiluca sp., pertencente ao grupo dos dinoflagelados, seres unicelulares que vivem em ambientes marinhos.
“Quando a água é movimentada pelas ondas, correntes ou qualquer outro atrito, esses organismos produzem um brilho azul característico, que pode ser observado à noite”, explica o biólogo.
De acordo com Meurer, a emissão de luz funciona como um mecanismo de defesa. Quando o organismo sofre uma perturbação física, uma reação química é desencadeada em seu interior.
“É uma estratégia de defesa. Esse movimento da água ativa uma reação envolvendo uma molécula chamada luciferina e uma enzima chamada luciferase. A interação entre elas produz a luz que vemos no mar”, detalha.
Embora pareça raro para quem presencia, o fenômeno pode ocorrer em diferentes regiões costeiras quando as condições ambientais são favoráveis. A presença de nutrientes na água, as correntes marítimas e o comportamento das marés influenciam diretamente a proliferação desses organismos.
“Isso pode ocorrer eventualmente. Depende da maré e da quantidade de nutrientes disponíveis na água, que favorecem o desenvolvimento dessa espécie. Ela, em particular, não oferece risco de toxicidade. Existem outros dinoflagelados que podem liberar toxinas e causar problemas neurológicos, mas não é o caso do Noctiluca sp.”, afirma o especialista.
Meurer destaca que a bioluminescência já foi observada em outros pontos do estado do Rio de Janeiro. Há registros frequentes na região de Ilha Grande, e um episódio semelhante chamou a atenção recentemente na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul da capital. Em comentários sobre o fenômeno visto em Niterói, internautas também relataram já tê-lo presenciado em Maricá.
“É relativamente comum em águas que apresentam as condições adequadas para o desenvolvimento desses organismos”, observa o biólogo.
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