RJ em Foco
Operação mira traficantes do TCP por extorsão e expulsão de moradores no São Carlos
Justiça determinou bloqueio de R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens ligados ao grupo criminoso
Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, deflagrada nesta sexta-feira, mira traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) que controlam o Morro de São Carlos, no Estácio, na capital fluminense. A ação tem como objetivo desarticular uma estrutura criminosa apontada por lavagem de dinheiro, extorsão de comerciantes e moradores, expulsão de famílias de imóveis no entorno da comunidade e comércio ilegal de armas.
Ao todo, os agentes cumprem 43 mandatos de busca e compreensão nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 60 milhões , além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens e valores que, segundo as investigações, foram usados pelo grupo para ocultar patrimônio.
As investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) , responsável pela operação, apontam que a quadrilha não se limitava ao tráfico de drogas e ao controle armado do São Carlos. De acordo com a polícia, o grupo implantou um sistema de exploração econômica contra pessoas que vivem ou trabalham nas proximidades do Morro, impondo um ambiente permanente de medo por meio de ameaças, extorsões e constrangimentos.
Segundo a Draco, as vítimas foram obrigadas a abandonar seus imóveis, que depois foram transferidas para pessoas ligadas ao tráfico. Esses bens, conforme as apurações, eram usados para ampliar o patrimônio dos criminosos e fortalecer a influência do TCP na região.
As investigações também revelaram o uso de empresas de fachada para ocultar e movimentar recursos ilegais da facção. A estrutura de lavagem de dinheiro seria ligada diretamente à cúpula do TCP e funcionaria como mecanismo para financiar o grupo criminoso e sua expansão patrimonial.
As provas reunidas por Draco indicam a participação de chefes da facção no esquema. Eles seriam responsáveis pela articulação logística com criminosos de Minas Gerais, pela cooperação territorial e pela estrutura patrimonial e financeira usada para ocultar e reinserir o dinheiro do crime na economia formal.
Venda de armas
Além do esquema de lavagem de dinheiro, a investigação envolve uma estrutura externa à venda de armas, responsável pelo abastecimento de comunidades dominadas pela TCP. Segundo a polícia, membros da organização atuaram como operadores financeiros e gestores patrimoniais, além de exercerem funções relacionadas à negociação, intermediação e aquisição clandestina de armamentos.
A operação conta com o apoio de equipes dos departamentos gerais de Polícia Especializada (DGPE), de Polícia da Capital (DGPC), de Polícia da Baixada (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Em São Paulo e Minas Gerais, agentes das polícias civis locais também foram mobilizados.
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