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Após quase 20 anos, ramal Silvestre dos Bondes de Santa Teresa volta a operar em testes

Fase experimental segue até julho e deve funcionar com quatro dos oito veículos disponíveis para a linha

Agência O Globo - 11/06/2026
Após quase 20 anos, ramal Silvestre dos Bondes de Santa Teresa volta a operar em testes
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após quase duas décadas sem operação, o ramal Silvestre dos Bondes de Santa Teresa voltou a circular nesta quinta-feira, ainda em fase de testes. O serviço funciona de forma limitada, com apenas quatro dos oito veículos disponíveis para a linha. Os demais permanecem na oficina.

De acordo com a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, o período experimental seguirá até julho. A etapa tem como objetivo treinar os motorneiros, avaliar o fluxo de passageiros e subsidiar a elaboração da grade de horários do ramal.

Os bondes partem do Morro dos Prazeres, na Rua Almirante Alexandrino. Segundo a secretária de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem, a expectativa é que ao menos dois veículos atualmente em manutenção voltem a circular em breve. A pasta também estuda a compra de novos bondes.

— Após a fase de testes, que vai até julho, queremos que dois desses bondes que estão na oficina voltem a circular o mais rápido possível. Mas isso vai depender da demanda de passageiros, que só vamos conseguir analisar após os testes. Depois desse período, conseguiremos montar a grade de horários de circulação do ramal Silvestre e fazer uma licitação para a compra de novos veículos — afirmou.

Ainda conforme a secretaria, está em negociação a integração com o Trem do Corcovado, para que cariocas e turistas possam fazer um passeio duplo pela cidade.

Uma das novidades do retorno do ramal Silvestre é a presença de Marcia de Souza, a primeira motorneira dos Bondes de Santa Teresa, na operação de um dos veículos.

— É uma responsabilidade muito grande, né? Mas eu estou muito feliz e espero poder inspirar outras mulheres — declarou.

Atualmente, moradores de Santa Teresa que possuem carteirinha de residentes têm direito à gratuidade no transporte. Quem não tem o documento precisa comprar o bilhete na Estação da Carioca, ao custo de R$ 20. O pagamento pode ser feito em dinheiro ou com cartões de crédito e débito. A secretaria informou que estuda a possibilidade de pagamento via Pix.

Poucos bondes

Moradores de Santa Teresa cobram a ampliação da frota também em outros ramais. Entre as principais reclamações estão os longos intervalos entre as viagens e a superlotação dos bondes, especialmente em razão da presença de turistas.

Em um ponto em frente à estação do Morro dos Prazeres, o operador de telemarketing Welligton Roberto Paulista, de 34 anos, contou que já chegou a esperar quatro horas para conseguir embarcar.

— Eu fiquei duas horas na estação e não consegui entrar porque o bonde estava lotado de turistas. Tive que esperar mais duas horas pelo próximo. Hoje em dia, não me prendo mais ao bonde. Se ele estiver no ponto, ok, eu pego. Se não, vou embora — relatou.

A técnica de enfermagem Tatiana da Silva, de 51 anos, também relata dificuldades com a demora e atribui o problema ao número reduzido de veículos em circulação.

— Tem pouco bonde. Isso é horrível porque eles chegam já lotados de turistas, e os moradores não conseguem utilizar o transporte — lamentou.

*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef