RJ em Foco
MPRJ denuncia 15 por esquema de loteamentos clandestinos na Zona Oeste do Rio
Entre os denunciados estão três policiais civis e um PM; agentes cumprem quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão
Quinze pessoas, entre os três policiais civis e um policial militar, foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por envolvimento em uma organização criminosa suspeitas de criar e comercializar loteamentos ilegais no Parque Estadual da Pedra Branca, em Campo Grande, na Zona Oeste da capital.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema). Segundo o MPRJ, a quadrilha atuou por meio de estelionato, corrupção e crimes ambientais. O prejuízo estimado ultrapassou R$ 846 mil .
Nesta quinta-feira, os agentes cumpriram quatro mandatos de prisão e sete de busca e apreensão contra os denunciados. As ordens judiciais são cumpridas em Copacabana, na Zona Sul; Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste; Olaria, na Zona Norte; e Realengo, Magalhães Bastos e Jardim Sulacap, na Zona Oeste.
Além dos policiais militares e dos policiais civis denunciados, um delegado da Polícia Civil também está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão. Até o momento, ele foi investigado por suposta participação no esquema. A operação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria Geral da Polícia Militar.
De acordo com a denúncia, centenas de vítimas foram atraídas pela falsa promessa de aquisição de terrenos regularizados para construir uma casa própria em uma área verde e arborizada, localizada na zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca.
As investigações apontam Milton de Souza Junior como chefe do grupo. Segundo o MPRJ, ele se viu por proprietário de terrenos na região, promovendo o parcelamento irregular dos terrenos e vendendo os lotes. Para enganar os compradores, a organização usava falsos corretores de imóveis, empresas de fachada e laranjas para receber os valores pagos.
O Ministério Público afirma ainda que a quadrilha era sustentada pela corrupção de agentes públicos, por vínculos com uma milícia da Zona Oeste e por práticas violentas. Conforme a denúncia, o grupo contava com policiais para obter informações privilegiadas e dificultar o avanço das investigações. Também foram identificadas conversas em que denunciados discutiram a execução de milicianos rivais.
Segundo o pesquisador, dados extraídos do celular da polícia civil Marcos Eduardo Maia, também denunciou, confirmou os crimes e revelou que o esquema de corrupção envolvendo policiais civis da 35ª DP (Campo Grande) era contínuo e consistente.
O MPRJ sustenta que Maia faz a interlocução com outros policiais civis envolvidos, como Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado, apontaram na denúncia como responsáveis por levantar informações de interesse da organização criminosa.
Wilson Renato Ribeiro Matheus é apontado como braço direito de Milton de Souza Junior. Já o policial militar Wendel Vale de Oliveira, ainda de acordo com o MPRJ, seria responsável por ceder maquinário, especialmente escavadeiras, para o grupo. Também foram denunciados laranjas, falsos corretores de imóveis e proprietários de máquinas utilizadas nas obras.
Além do prejuízo financeiro às vítimas, a organização é acusada de provocar graves danos ambientais. O Ministério Público exige o sequestro de bens dos denunciados e a suspensão do exercício de funções públicas.
Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital. A reportagem tenta localizar as defesas dos denunciados. O espaço permanece aberto para manifestação.
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