RJ em Foco
Polícia encontra mineradora de criptomoedas em área do TCP na Maré
É a segunda estrutura do tipo descoberta em favelas do Rio em menos de um mês; a primeira foi no Complexo do Lins, em área do Comando Vermelho.
A Polícia Civil encontrou uma estrutura de mineração de criptomoedas durante a Operação Trinus , realizada nesta quarta-feira contra o Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
O equipamento foi instalado na Vila do João, uma das comunidades dominadas pela facção. Esta é a segunda mineradora de criptomoedas descoberta nas favelas do Rio em menos de um mês.
Único na Maré
No local, os agentes encontraram um grande aparato tecnológico utilizado pelos crimes, com diversos computadores e máquinas de alto processamento. Segundo a Polícia Civil, a operação também foi realizada, até o momento, na prisão de 20 suspeitos e na recuperação de 30 veículos roubados ou furtados.
“Mineração” do CV
Há duas semanas, uma operação encontrou uma estrutura semelhante no Complexo do Lins, também na Zona Norte. O esquema funcionava nos fundos de um mercado usado como fachada e contava com bolsas de máquinas conectadas irregularmente à rede elétrica. A região é dominada pelo Comando Vermelho (CV).
De acordo com o delegado Tiago Dorigo, da 21ª DP (Bonsucesso), a descoberta não surpreende o pesquisador. Segundo ele, facções criminosas estão constantemente em busca de novas formas de obter lucro e costumam abrir espaço para especialistas atuarem sob sua proteção.
— Essas quadrilhas estão sempre buscando novas formas de aumentar lucros. Tudo que é novidade e que der dinheiro, não importa se na legalidade, eles vão praticar ou abrir espaço para que pessoas especializadas usufruam da proteção para praticar o crime — afirmou o delegado.
Dorigo destacou ainda que a mineração de criptomoedas representa mais uma atividade econômica explorada por grupos criminosos dentro dos territórios sob seu domínio. A prática, segundo ele, pode servir não apenas para obtenção de lucro, mas também para ocultação de bens oriundos de atividades ilícitas.
Segundo o delegado, o alto consumo de energia exigido por esse tipo de operação ajuda a explicar a escolha das comunidades para a instalação das estruturas.
— Uma mineradora tem um consumo muito excessivo de energia elétrica, o que facilmente seria detectado se não estivesse dentro da comunidade. Esse consumo chamaria a atenção da inspeção. Dentro da comunidade há muito mais dificuldades de fiscalização — disse.
Ainda de acordo com Dorigo, criminosos de diferentes áreas vêm migrando suas atividades para regiões controladas por facções devido às dificuldades enfrentadas pelas forças de segurança para realizar incursões e operações de grandes portes nesses locais.
— Tornou-se seguro se instalar dentro dessas comunidades e abrir um escritório do crime. Os mais variados tipos de golpistas e estelionatários saíram do centro da cidade e abriram escritórios em comunidades porque souberam da dificuldade que a polícia tem para localizar e realizar operações — afirmou.
O delegado afirmou que os criminosos pagam uma espécie de “aluguel” às facções para atuar nesses territórios. O modelo incluía desde grupos envolvidos em golpes contra aposentados até quadrilhas especializadas em fraudes relacionadas à venda de veículos e à portabilidade de aluguel.
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