RJ em Foco
Casa Firjan atrai cerca de 20 mil visitantes por mês com natureza, história e lazer em Botafogo
Por unanimidade, Iphan tomba palacete e jardins como patrimônio cultural brasileiro e sugere incluir o nome de Celina Guinle no casarão
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidiu, por unanimidade, na tarde desta terça-feira, pelo tombamento do palacete e dos jardins da Casa Firjan, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Além do tombamento, os conselheiros sugeriram que o nome de Celina Guinle seja incorporado à denominação oficial do bem, em reconhecimento à sua importância para a história do imóvel. Celina recebeu o casarão dos pais, Eduardo Guinle e Guilhermina Guinle, como presente de casamento. Segundo o Iphan, o palacete deverá passar a se chamar Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e seus jardins. O processo para a alteração oficial do nome ainda será realizado.
Localizado em Botafogo, o espaço recebe, em média, 20 mil visitantes por mês. O público é atraído pela história da arquitetura do casarão, pelas exposições e experiências realizadas em alguns dos 30 cômodos, além da tranquilidade dos jardins, que ocupam 7.577 metros quadrados dos 8.202 metros quadrados do terreno.
A área é frequentada diariamente por idosos, adultos e crianças, que aproveitam a grama baixa, as árvores centenárias, as áreas sombreadas e os bancos para descanso. Muitos visitantes definem o espaço como "um silêncio em meio ao caos do Rio de Janeiro".
A nutricionista Rafaella Barbosa Lellis, de 28 anos, moradora de Botafogo, conta que leva o filho, Caetano, de 1 ano e 1 mês, aos jardins do palacete pelo menos duas vezes por mês, para que ele tenha contato com a natureza e com outras crianças.
— Como não tenho outro filho, é aqui que o Caetano tem contato com outras crianças desde que ele tinha cinco meses. E isso é muito bom para o desenvolvimento dele. Eu o deixo livre para explorar o espaço porque sei que aqui dentro é seguro, e ele ama. Ele está sempre livre pela grama e brincando com outras crianças.
As duas meninas, de 1 ano e 4 anos, cuidadas pela babá Josefina Leite, de 56 anos, também aproveitam o espaço. A profissional afirma que leva as crianças ao local desde que nasceram, por considerar o ambiente calmo, seguro e organizado, além de favorável à convivência e ao desenvolvimento infantil.
— Venho com as meninas todos os dias da semana em que está aberto, de terça a sexta-feira, e elas amam. Elas pedem para vir e choram ao ir embora.
Para o empresário Rubiano Torres, de 49 anos, que leva a filha Rebeca Torres, de 9 anos, ao local desde que ela nasceu, a tranquilidade é um dos principais atrativos da Casa Firjan.
Além dos cariocas, o novo patrimônio cultural brasileiro também atrai turistas. A gerente operacional Caroline Sodré, de 29 anos, e a contadora Ana Carolina, de 31, ambas do Pará, decidiram conhecer o espaço durante uma viagem de férias ao Rio.
— Vimos a sugestão nas redes sociais e é o primeiro lugar que visitamos desde que chegamos ao Rio. Estou amando e já disse que, se eu morasse na cidade, viria ao Palacete todos os fins de semana, pois gostei muito do ambiente — contou Caroline Sodré.
— Além de toda a beleza e calmaria, gostei porque é um espaço que agrega a parte histórica e cultural da cidade — destacou Ana Carolina.
A Casa Firjan também conta com o Empório Jardim, restaurante fundado pelas chefs Paula Prandini e Iona Rohstein e pela jornalista Branca Lee. O estabelecimento oferece mais de 100 opções no cardápio, além de itens exclusivos para a Casa Firjan. O restaurante funciona em dois ambientes: um no jardim do casarão, com mesas para até 20 pessoas, e outro dentro do palacete, com azulejos preservados da arquitetura original e 58 lugares para clientes.
Programação cultural
As exposições e atividades culturais são realizadas em alguns dos 30 cômodos do palacete. No térreo, a Sala Lucy e Luiz Carlos Barreto recebe eventos e projetos de cinema, além de exibições de filmes. Nas salas Celina e Guilherme, são apresentadas obras interativas, imersivas e de diferentes plataformas, com temas ligados ao futuro e à inovação. No segundo andar, a Sala Firjan exibe a história da casa, que abriga todo o acervo literário do autor Aurélio Buarque de Holanda.
A programação mensal fica disponível no site e nas redes sociais da Casa Firjan. Os visitantes que desejarem conhecer mais detalhes do casarão podem participar de visitas mediadas, que abordam curiosidades sobre a história da casa, da família Guinle, do processo de restauro e da arquitetura do imóvel.
*Estagiária sob supervisão de Cláudia Meneses.
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