RJ em Foco
Juíza interrompe sessão do caso Henry após suspeita de que advogada observava anotações dos jurados
Ela negou que tenha visto as anotações e disse não ter vínculo com as defesas
O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel teve um momento de tensão no plenário do II Tribunal do Júri da Capital após a juíza Elizabeth Machado Louro interromper a sessão ao suspeitar que uma advogada observava as anotações feitas pelos jurados.
Os donos do crime:
Caso Henry:
Segundo relatos no plenário, a mulher estaria sentada em uma bancada com visão para o Conselho de Sentença e teria olhado para os apontamentos feitos pelos jurados durante os depoimentos. Ao perceber a situação, a magistrada interrompeu a sessão e anunciou a advogada.
— Na próxima vez que eu pegar a senhora olhando as anotações do júri, vou retirar a senhora daqui — afirmou a juíza Elisabeth Machado Louro.
Após o episódio, a mulher foi convidada para deixar o plenário. Do lado dos fora, ela se acordou como advogada e negou ter tentado ler qualquer anotação dos jurados. Segundo ela, houve um mal-entendido por parte da magistrada.
— Eu olhei para baixo. A doutora achou que eu estava olhando, mas eu jamais faria isso. Eu honro a minha classe e a classe de todos os advogados — afirmou.
A mulher disse ainda que acompanhava a sessão do convite de um amigo promotor e negociava qualquer vínculo com as partes do processo.
— Eu vim só acompanhando. Não tenho interesse em nenhuma das partes — disse a mulher.
A advogada também afirmou ter se sentido humilhado pela forma como foi abordado pela magistrada.
— Acho que a juíza se equivocou e me humilhou exageradamente. Isso eu não merecia — disse a asvogada.
Segundo ela, não houve tribunal para acompanhar o funcionamento do júri e adquirir experiência profissional após obter recentemente a carteira da OAB.
Ex-namorada denuncia Jairinho
O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pela morte do menino Henry Borel também foi marcado pelo depoimento de Déborah Mello Saraiva, ex-namorada do ex-vereador e mãe de Enzo, menino que também teria sido vítima de agressões atribuídas a Jairinho quando tinha entre 2 e 3 anos.
Ao júri, Déborah afirmou que ainda sente medo do ex-companheiro e disse carregar “raiva pelo que ele fez” com seu filho.
Déborah contou que conheceu Jairinho em 2014, quando trabalhava como assessora parlamentar na Câmara Municipal do Rio. Segundo ela, o relacionamento durou cerca de seis anos e terminou quando descobri que o então vereador mantinha relacionamento com Monique Medeiros.
Durante o depoimento à juíza Elizabeth Machado Louro, a ex-namorada episódios de violência narrados posteriormente pelo filho Enzo, após o caso Henry ganhar repercussão nacional.
— Enzo contou primeiro pra minha mãe o que aconteceu. Depois ele chegou pra mim e perguntou: “Mamãe, você sabe o que ele fez comigo?” —disse Déborah.
Praça Onze Maravilha:
Segundo ela, o filho revelou que Jairinho teria colocado papel e pano em sua boca para evitar que gritasse enquanto pisava em sua barriga.
— Ele contornou que botou papel e pano na boca dele pra que ele não gritasse e começou a pisar na barriguinha dele. E falou que ele estava rindo — afirmou.
Déborah disse que, naquela noite, estava desacordada em outro quarto porque teria sido dopada por Jairinho.
— Eu estava dopada porque ele me dopou nesse dia. Foi o mesmo dia que ele me estuprou — declarou.
Ela contou ainda que o filho disse ter tentado acordá-la após as agressões, mas não conseguiu.
'Sem Alma':
— Ele falou: “Mamãe, eu tentei te acordar, te sacudiu, só que você não respondeu” — relatos.
Segundo Déborah, Enzo também contou que Jairinho teria colocado um saco em sua cabeça e rodado com ele dentro do estacionamento do prédio. Ela afirmou que o menino só revelou os episódios anos depois, após a morte de Henry.
Nova documentação:
A ex-namorada do ex-vereador também relembrou um episódio em que o filho sofreu uma grave lesão na perna. Segundo ela, Jairinho pediu para levar Enzo a uma confraternização e, pouco tempo depois, ligou dizendo que a criança havia “torcido o pé”. Ao chegar ao hospital, os exames apontaram fratura no fêmur.
— Quando fizemos o raio-x, ele estava com a perna quebrada — afirmou a ex-namorada.
Durante o depoimento, Déborah disse que, depois desses episódios, o filho passou a evitar contato com Jairinho e não queria mais sair com ele.
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