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Caso Henry: veja como foi o terceiro dia de julgamento de Jairinho e Monique

Psiquiatra da acusação afirmou ter percebido em Jairinho 'prazer em infligir dor' em crianças; defesa conseguiu decisões favoráveis no TJ, e médica descreveu reação de Monique após a morte de Henry

Agência O Globo - 28/05/2026
Caso Henry: veja como foi o terceiro dia de julgamento de Jairinho e Monique
Henry Borel - Foto: YOUTUBE/Reprodução Fonte: Agência Senado

O terceiro dia do foi marcado por embates entre acusação e defesa, decisões favoráveis do Tribunal de Justiça aos advogados do ex-vereador e depoimentos que detalharam os últimos momentos de vida de Henry Borel. Ao longo da tarde e da noite desta quarta-feira, os jurados ouviram o psiquiatra Rafael Bernardon e a médica Maria Cristina Souza Azevedo, responsável pelo atendimento do menino no Hospital Barra D’Or na noite da morte. Durante a sessão, a defesa questionou a atuação de testemunhas da acusação e a condução do julgamento, enquanto a médica relatou a reação de Monique após a confirmação do óbito e as tentativas de reanimação de Henry. O julgamento foi encerrado pouco depois das 22h e será retomado nesta quinta-feira, às 9h.

Os donos do crime:

Dois pedreiros

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi submetido a agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Zona Oeste do Rio.

Confira como foi o terceiro dia de julgamento

Psiquiatra diz ter percebido ‘prazer em infligir dor’ em crianças

Primeira testemunha ouvida na quarta-feira, o psiquiatra Rafael Bernardon afirmou ao Conselho de Sentença que identificou em Jairinho um comportamento que, em sua avaliação, indicaria satisfação ao causar sofrimento em crianças. O especialista disse que a percepção foi construída a partir da análise dos autos do processo.

— Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação — afirmou.

A declaração provocou reação imediata da defesa de Jairinho, que interrompeu o depoimento para sustentar que a conclusão representava apenas uma interpretação pessoal do psiquiatra. Bernardon reforçou que se tratava de uma avaliação baseada em sua leitura técnica dos elementos reunidos na investigação.

Caso Henry:

O depoimento começou por volta de 12h e terminou perto das 19h, após horas de questionamentos feitos pela acusação e pela defesa.

Defesa critica atuação do psiquiatra e juíza repreende advogado

Após o depoimento, os advogados de Jairinho passaram a questionar a legitimidade da participação de Bernardon no julgamento. O criminalista Rodrigo Faucz afirmou que o especialista não entrevistou o ex-vereador e que sua manifestação contrariaria diretrizes éticas da medicina.

— É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas — disse Faucz.

O advogado também sustentou que Bernardon não presenciou os fatos investigados e foi contratado pela acusação para expor “impressões pessoais”.

Vereadores do Rio

Em meio aos questionamentos da defesa, a juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu o advogado Zanone Júnior e afirmou que o julgamento não avançaria caso as discussões permanecessem no mesmo tom.

— Se ficar discutindo o sexo dos anjos, esse julgamento não termina — afirmou a magistrada.

A juíza também disse que o tribunal estava sendo submetido a “uma verdadeira tormenta” diante da extensão dos debates envolvendo o depoimento do psiquiatra.

TJ autoriza testemunha da defesa e muda ordem de interrogatórios

Ainda durante o terceiro dia de júri, a defesa de Jairinho obteve duas decisões favoráveis no Tribunal de Justiça do Rio. A primeira garantiu que Miriam Santos Rabelo Costa possa depor em plenário. A testemunha havia sido barrada pela juíza do caso após pedidos do Ministério Público e dos assistentes de acusação.

Confusão entre

Segundo Rodrigo Faucz, a mulher deverá relatar um suposto acidente envolvendo Henry e o pai do menino, Leniel Borel, versão que, segundo a defesa, poderia ter relação com as lesões apontadas no processo.

O TJ também concedeu liminar para que o interrogatório de Jairinho aconteça apenas depois do depoimento de Monique Medeiros. A defesa sustentou que a medida é necessária para garantir a “plenitude de defesa” e permitir que o ex-vereador conheça previamente o teor das declarações da ex-companheira antes de falar aos jurados.

— Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação. Isso é básico em qualquer Estado de Direito — afirmou Faucz.

O pedido de transferência do julgamento para outra comarca, no entanto, foi negado pelo tribunal. A defesa informou que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça.

Médica relata socorro a Henry e diz que Monique parecia ‘não acreditar’ na morte

Última testemunha ouvida no dia, a médica Maria Cristina Souza Azevedo afirmou que Henry chegou ao Hospital Barra D’Or em parada cardiorrespiratória e apresentando marcas roxas no tórax, abdômen, punhos e coxas. Segundo ela, o protocolo de reanimação durou cerca de duas horas.

— O pai pediu para que continuássemos tentando — relatou a médica, ao mencionar um pedido feito por Leniel Borel durante o atendimento.

Mulher é presa

Questionada sobre a reação de Monique após a confirmação da morte do filho, Maria Cristina afirmou que a professora aparentava estar em choque.

— Ela estava em estado de choque, parecia não acreditar — disse.

Sobre Jairinho, a médica afirmou que ele “passou o tempo todo apoiando Monique” durante o atendimento no hospital.

O depoimento da médica começou por volta das 19h e terminou pouco depois das 22h.

Monique chorou ao ver vídeo de Henry exibido no plenário

Durante o depoimento da médica, o assistente de acusação Cristiano Medina exibiu um vídeo de Henry dançando na casa do pai, Leniel Borel, na manhã da véspera da morte do menino. As imagens foram mostradas enquanto a testemunha detalhava o atendimento prestado no hospital.

Ao assistir ao vídeo, Monique chorou no plenário e abaixou a cabeça diante dos jurados, familiares e advogados presentes na sessão.

O julgamento foi encerrado pouco depois das 22h pela juíza Elizabeth Machado Louro. O júri será retomado nesta quinta-feira, às 9h, no II Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.