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Juíza repreende defesa de Jairinho durante julgamento do caso Henry Borel

Magistrada interfere durante depoimento de psiquiatra após série de questionamentos feitos pela defesa do ex-vereador

Agência O Globo - 27/05/2026
Juíza repreende defesa de Jairinho durante julgamento do caso Henry Borel
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Durante o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, a juíza Elizabeth Machado Louro interveio nesta quarta-feira (26) após mais de seis horas de depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon. A magistrada repreendeu o advogado Zanone Júnior, da defesa de Jairinho, no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, ao interromper a sequência de perguntas ao especialista.

“Se ficarmos discutindo o sexo dos anjos, esse julgamento não termina”, afirmou a juíza, ao pedir objetividade. “O doutor está aqui para falar sobre o perfil psicológico. Ele não é testemunha do fato, ele está aqui para traçar um perfil. Eu estou implorando ao senhor. O senhor está nos submetendo a uma verdadeira tormenta”, acrescentou Elizabeth Louro.

O advogado Zanone rebateu, alegando que o Ministério Público havia levado cerca de quatro horas na inquirição do psiquiatra, enquanto ele utilizara apenas duas. A magistrada respondeu: “Mas eu falei com vocês, ainda não tinha feito esse pedido antes da fala da acusação”. Pouco depois, o interrogatório foi encerrado. O júri passou a ouvir a médica Maria Cristina de Souza, responsável pelo atendimento a Henry no dia da morte.

Defesa questiona atuação de psiquiatra

Convocado pela acusação, Rafael Bernardon declarou ao Conselho de Sentença que, após analisar os autos, identificou em Jairinho um comportamento que, em sua avaliação, sugeriria satisfação em causar sofrimento a crianças. “Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação”, afirmou o especialista, durante perguntas do Ministério Público.

A defesa de Jairinho reagiu imediatamente, destacando que a conclusão apresentada era uma interpretação pessoal do psiquiatra. Bernardon reforçou que sua análise estava baseada na leitura técnica dos elementos do processo.

Após o depoimento, os advogados de Jairinho passaram a questionar a legitimidade da participação do especialista no julgamento. O criminalista Rodrigo Faucz argumentou que Bernardon não entrevistou o ex-vereador e que sua manifestação teria violado diretrizes éticas da medicina. “É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas”, afirmou Faucz.

O advogado também enfatizou que Bernardon não presenciou os fatos investigados e foi contratado pela acusação. “Trata-se de uma pessoa que não presenciou, não entrevistou e apenas foi contratada pela acusação para expor suas impressões pessoais”, disse.

Segundo Faucz, a própria magistrada já havia considerado o depoimento irrelevante em fase anterior do processo. “A própria juíza proibiu, na audiência em primeira fase, que ele fosse ouvido, por considerar irrelevante a opinião de uma pessoa alheia e paga para confirmar a versão acusatória”, declarou.

Julgamento entra no terceiro dia

Após a oitiva de Bernardon, ainda estavam previstos os depoimentos do perito Luís Carlos Leal Prestes e da médica Maria Cristina de Souza Azevedo.

O julgamento, iniciado na segunda-feira, já soma mais de dois dias de sessões, marcadas por longos depoimentos, divergências entre acusação e defesa e sucessivos questionamentos sobre as provas produzidas durante a investigação da morte de Henry, ocorrida em março de 2021.