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'Covardia que fizeram com dois trabalhadores', desabafa amigo de pedreiros mortos em ação da PM em São Gonçalo

Marcelo da Cruz Silva e Edvan Felipe de Assis trabalhavam juntos e carregavam equipamentos de uma obra

Agência O Globo - 27/05/2026
'Covardia que fizeram com dois trabalhadores', desabafa amigo de pedreiros mortos em ação da PM em São Gonçalo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Dois pedreiros foram mortos a tiros durante uma operação policial nesta quarta-feira, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Eles transportaram, em uma motocicleta, um tripé de suporte de nível — equipamento utilizado na construção civil — e uma régua de metal própria para alinhar paredes. Segundo testemunhas, parte do tripé, que é dobrável, estava com a ponta para fora de uma mochila e pode ter sido confundido por policiais militares com um fuzil.

Trabalhadores confusos

"Foi uma covardia que fez com dois trabalhadores. Nenhum deles era bandido", desabafou um amigo das vítimas, que preferiu não se identificar.

Os equipamentos foram transportados por Marcelo da Cruz Silva, que pilotava a moto, e Edivan Felipe de Assis, que seguiu como carona e segurou a régua em uma das mãos. Os dois cumpriram uma testemunha ao passarem por ela. Cerca de 30 segundos depois, essa mesma pessoa pegou uma rajada de tiros que tirou a vida dos trabalhadores.

"Eu estava saindo para trabalhar e vi os dois passando por mim numa moto. Eles me cumpriram e deram bom dia. Estavam com uma ferramenta que pode ter sido confundida com uma arma. Seguiram adiante e, uns 30 segundos depois, ouvi a rajada de tiros. Ainda consegui ver a moto caindo junto com os dois", relatou uma testemunha.

Comoção entre familiares e amigos

Parentes e amigos dos pedreiros serviriam na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), responsáveis ​​pela investigação. Eles contaram que Marcelo e Edvan eram amigos e vizinhos. Marcelo era conhecido por ser alegre e brincalhão. Edvan, além de pedreiro, era dono de um bar, pai de um adolescente de 14 anos e avô de um bebê de três meses.

Os dois costumavam trabalhar juntos e faziam o caminho de uma obra no bairro Parada 40 quando, ao deixarem a comunidade Jardim Catarina, foram alvejados por disparos feitos por policiais militares.

Investigação em andamento

Policiais civis da DHNSGI serviram no local do crime, na Avenida Albino Imparato, onde colocaram o tripé de suporte de nível e as réguas transportadas pelas vítimas. Segundo uma testemunha, a régua teria sido encontrada num vilarejo próximo.

O local passou por perícia e testemunhas foram ouvidas pelos investigadores. A Polícia Civil busca imagens de câmeras de segurança para ajudar a esclarecer o ocorrido.

Em nota, a Polícia Militar, por meio do 7º BPM (São Gonçalo), informou que “um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as situações”. A corporação descobriu que “policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante a ocupação na localidade de Ipuca”, lamentou a morte de Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis e ressaltou que preza pela transparência, colaborando integralmente com as investigações.

A Polícia Civil solicita imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na ação e informou que as armas usadas pelos agentes já foram apreendidas para confronto balístico. Os policiais e testemunhas serão ouvidos no DHNSGI. Os corpos de Edvan e Marcelo foram designados para o Instituto Médico-Legal, onde passarão por perícia.