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Caso Henry: veja os destaques do segundo dia de julgamento e o que esperar da sessão nesta quarta

Delegados responsáveis pela investigação foram ouvidos em plenário marcado por embates entre defesa e acusação, além de reação de Monique após exibição de fotos da necropsia de Henry

Agência O Globo - 27/05/2026
Caso Henry: veja os destaques do segundo dia de julgamento e o que esperar da sessão nesta quarta
Henry Borel - Foto: YOUTUBE/Reprodução Fonte: Agência Senado

O segundo dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, terminou após mais de dez horas de sessão no 2º Tribunal do Júri da Capital. Entre terça-feira e a madrugada desta quarta, foram ouvidos os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros, responsáveis pela investigação do caso. A princípio, o júri será retomado às 11h, quando devem depor um médico-legista e um perito.

Caso Henry Borel:

Caso Henry:

Henry morreu em 8 de março de 2021, com múltiplas lesões internas e hemorragia. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo. Monique é acusada de homicídio por omissão, tortura, fraude processual e coação.

Como foi o segundo dia de julgamento

Delegado diz que investigação mudou rumo do caso

Primeira testemunha de acusação a depor, o delegado Edson Henrique Damasceno, que era titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) à época da morte de Henry, disse que o caso chegou inicialmente à polícia como um possível acidente doméstico. A oitiva levou mais de dez horas.

Nunca preso:

— No primeiro momento, chegou um relato como se fosse um acidente doméstico. A investigação foi seguindo e acabou mostrando um viés completamente diferente — afirmou.

Damasceno disse ainda que determinou a preservação do apartamento onde Henry vivia com a mãe e Jairinho, mas que o imóvel já havia sido alterado quando a perícia chegou ao local:

— O local já havia sido prejudicado, havia sido mexido porque a empregada Rosângela chegou e fez a limpeza no apartamento.

Em área histórica de Magé:

Durante o depoimento, o delegado relatou ainda que a investigação identificou mensagens nas quais Jairinho pressionava um executivo da Rede D’Or para que a declaração de óbito fosse emitida pelo hospital, evitando o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico-Legal (IML). Segundo ele, as mensagens indicavam que o então vereador queria “virar logo essa página”.

Monique cobre o rosto durante exibição de fotos da necropsia

Ao longo do depoimento do delegado, a defesa de Jairinho exibiu aos jurados fotos da necropsia de Henry. Monique Medeiros abaixou a cabeça e cobriu o rosto ao serem mostradas imagens das lesões sofridas pelo menino.

Caso Henry:

As fotografias foram apresentadas durante questionamentos da defesa sobre a qualidade das imagens do elevador do condomínio e sobre os procedimentos adotados pelo Hospital Barra D’Or na noite da morte da criança.

Delegada relata que Monique sustentou versão de acidente doméstico

A segunda testemunha do dia foi a delegada Ana Carolina Medeiros, que auxiliou Damasceno nas investigações. Durante o depoimento, ela afirmou que Monique sustentou a versão de que Henry teria sofrido um acidente doméstico.

— Ela relatou que o filho teria caído da cama e escolheu omitir as agressões reiteradas de Jairinho — disse.

Os donos do crime:

A delegada também lembrou que houve busca e apreensão na residência de Jairinho e Monique e que os dados dos celulares dos dois foram extraídos durante a investigação. Até então, segundo ela, o casal permanecia junto.

Ao longo da oitiva, Ana Carolina mencionou ainda relatos de mulheres que tiveram relacionamento com Jairinho. Segundo a delegada, uma ex-namorada procurou Leniel Borel, pai de Henry, após o início da investigação e afirmou:

— Se eu tivesse denunciado, talvez o seu filho não estaria morto.

Ela também disse que a filha dessa mulher apresentava aversão a Jairinho e, anos depois, descreveu episódios de agressões atribuídas ao ex-vereador.

Embates entre defesa e acusação marcaram sessão

O segundo dia de julgamento também foi marcado por sucessivas interrupções e discussões entre defesa e acusação durante os depoimentos. Em um dos momentos, o promotor Fábio Vieira reagiu a uma das muitas intervenções da defesa de Monique:

— Faz um roteiro do que a senhora quer que eu pergunte — ironizou.

Mais cedo, a juíza Elizabeth Machado Louro também criticou a condução dos trabalhos:

— Acho que estou num universo paralelo — disse, mais de uma vez.

Ao comentar o ritmo das oitivas, a magistrada afirmou ainda que, daquela forma, o julgamento “pode durar um mês e meio”.

Defesa volta a questionar atendimento médico

A defesa de Jairinho voltou a levantar questionamentos sobre o atendimento prestado pelo Hospital Barra D’Or na noite da morte de Henry. Os advogados perguntaram ao delegado se seria comum uma unidade hospitalar receber um paciente em óbito, como sustentam os investigadores.

Damasceno respondeu que, na avaliação dele, a equipe médica tentou reanimar a criança “por se tratar de um menino de apenas 4 anos”.

— Acredito que tentaram reverter uma tragédia — afirmou.

Defesa tem novas mudanças após infarto de advogado

Outro advogado da equipe de defesa de Jairinho anunciou sua saída do caso. Sérgio Figueiredo afirmou que protocolou a renúncia em solidariedade ao colega Fabiano Tadeu Lopes, que sofreu um infarto no último sábado enquanto participava da preparação para o julgamento.

Horas depois, Fabiano Lopes, apontado como principal responsável pela estratégia jurídica de Jairinho, afirmou que pretende retornar ao plenário assim que seu quadro de saúde permitir.

— Meu caso é muito grave, estou com o coração com apenas 33% funcionando e o rim prejudicado. Mas vou correr o risco de vida, tenho compromisso moral com o processo e com o Jairo — disse ao GLOBO.

O que esperar desta quarta-feira

A expectativa é que o julgamento seja retomado às 11h desta quarta-feira, com os depoimentos do médico-legista e do perito responsáveis pelos laudos do caso Henry Borel. As oitivas são consideradas centrais para a acusação, já que devem detalhar as lesões identificadas no corpo da criança e as conclusões técnicas da investigação.

Até o fim da sessão, apenas duas das 27 testemunhas previstas haviam sido ouvidas, o que indica que o julgamento ainda deve se estender pelos próximos dias.