RJ em Foco
Após saída temporária do Dia das Mães, 117 presos não retornam ao sistema prisional do Rio
Dois deles são considerados de alta periculosidade; benefício concedido a 1.560 detentos terminou no último dia 14
Um total de 117 presos beneficiados pela saída temporária do Dia das Mães não retornaram ao sistema prisional do Rio de Janeiro dentro do prazo estabelecido pela Justiça. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen). A Visita Periódica à Família (VPF) teve início em 8 de maio e terminou em 14 de maio. Dos 1.560 detentos autorizados a deixar temporariamente as unidades prisionais, parte descumpriu a determinação judicial de retorno.
Dois dos foragidos são considerados de alta periculosidade: Raylander Machado dos Santos, conhecido como "Raylander do Andaraí", apontado como chefe de uma quadrilha de roubos violentos na Zona Norte, e Emanuel dos Santos Carvalho, o "Mata Rindo", acusado de homicídios e de atuar no tráfico do Complexo do Lins. O Disque Denúncia divulgou, nesta quarta-feira, um cartaz com informações sobre ambos.
Operação mira chefes do tráfico do Comando Vermelho
De acordo com a Seppen, a Divisão de Busca e Recaptura (Recap) segue diligências para localizar e recapturar os evadidos. A secretaria reforçou que a saída temporária é um benefício previsto na lei e concessão pelo Poder Judiciário aos detentos que atendam aos requisitos legais.
Raylander e Mata Rindo seguem forgidos
O prazo para reapresentação terminou em 14 de maio. Nenhum dos dois retornou ao sistema prisional e ambos passaram à condição de foragidos. No caso de Emanuel, a direção do Instituto Penal Benjamin de Moraes Filho comunicou oficialmente à Vara de Execuções Penais, em 15 de maio, que ele "não retornou do VPF" (Visita Periódica ao Lar).
Segundo as investigações, Raylander foi preso por liderar uma quadrilha especializada em roubos de veículos, estabelecimentos comerciais e pedestres na Tijuca, Vila Isabel e arredores do Morro do Andaraí, na Zona Norte do Rio. O grupo ficou conhecido por assaltos violentos sob ameaça de morte e pela prática da "saidinha de banco", quando criminosos monitoram clientes que acabam de sacar grandes quantias para abordá-los fora das agências.
Já Emanuel dos Santos Carvalho, o Mata Rindo, foi preso por envolvimento em homicídios e roubos no Complexo do Lins. Segundo o Disque Denúncia, ele ganhou o apelido por ser apontado como executor de integrantes de facções rivais e por atuar na linha de frente de confrontos com policiais militares.
Documentos do sistema penitenciário obtidos pela GLOBO identificam Emanuel ainda como líder do tráfico na Comunidade do Amor, no Lins. Sua ficha prisional mostra passagens pelo sistema desde 2015 e revela que ele voltou a ser preso em janeiro de 2019, durante operação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Morro do Amor, uma das comunidades do Complexo do Lins.
Os registros apontam ainda que Mata Rindo cometeu uma falta disciplinar grave em 2020, sendo punido com 30 dias de isolamento e rebaixamento de classificação disciplinar por 180 dias. Apesar disso, seu comportamento foi posteriormente reclassificado como “excepcional” pelo sistema penitenciário em novembro de 2023.
O Disque Denúncia solicita que informações sobre o desfile dos foragidos sejam encaminhadas pelos canais oficiais da instituição, com garantia de anonimato.
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